3 exemplos de redação no modelo ENEM para você se inspirar

por | maio 11, 2022

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Você já leu alguns exemplos de redação do Enem? Se você está se preparando para a prova, saiba que essa é uma das melhores formas de estudar redação.

A redação é uma etapa da prova do Enem mais temida pelos participantes. Isso porque ela tem um grande peso na nota final do exame e pode ser uma porta de entrada para uma vaga em universidades públicas e privadas.

Para se dar bem na redação é necessário treinar muito! E uma prática que ajuda muito nessa hora é analisar as redações nota mil anteriores. Por isso, neste post nós selecionamos 3 exemplos de redação do Enem para você se inspirar! Continue lendo para conferir!

 

Exemplos de redação nota mil do Enem

 

Selecionamos a seguir três exemplos de redação do Enem que tiraram nota mil nos últimos anos. Todas as redações selecionadas apresentam as competências cobradas no Exame.

Isso quer dizer que os participantes apresentaram o domínio da escrita formal; compreenderam a proposta de redação; defenderam um ponto de vista; apresentaram repertórios socioculturais produtivos ao tema; e, por fim, desenvolveram uma proposta de intervenção (com ação, agente, modo/meio, finalidade e detalhamento).

Confira a seguir as redações e inspire-se! Boa leitura!

 

1 – Enem 2021 – Redação nota 1000

 

Tema:Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil

Participante: Fernanda Quaresma.

“Em ‘Vidas secas’, obra literária do modernista Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o ‘mais velho’ e o ‘mais novo’, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. A partir desse contexto, não se pode hesitar – é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população.

Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida, na persistente falta de pertencimento como cidadão brasileiro. Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido – em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. Dessa forma, da mesma maneira que o ‘mais novo’ e o ‘mais velho’ de Graciliano Ramos, quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão.

Além disso, a falta do sentimento de cidadania na população não registrada reflete, também, na manutenção de uma sociedade historicamente excludente. Tal questão ocorre, pois, de acordo com a análise da antropóloga brasileira Lilia Schwarcz, desde a Independência do Brasil, não há a formação de um ideal de coletividade – ou seja, de uma ‘Nação’ ao invés de, meramente, um ‘Estado’. Com isso, o caráter de desigualdade social e exclusão do diferente se mantém, sobretudo, no que diz respeito às pessoas que não tiveram acesso ao registro oficial, as quais, frequentemente, são obrigadas a lidar com situações humilhantes por parte do restante da sociedade: das mais diversas discriminações até o fato de não poderem ter qualquer outro documento se, antes, não tiverem sua identificação oficial.

Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está diretamente ligada à exclusão social, é tempo de combater esse grave problema. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (agente), ampliar o acesso aos cartórios de registro civil (ação). Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil (modo/meio), o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância do registro oficial para garantia da cidadania, além de instruções para realizar o processo (detalhamento), a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação (finalidade). Afinal, assim como os meninos em ‘Vidas secas’, toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.”

Fonte: https://g1.globo.com/educacao/enem/2021/noticia/2022/04/08/espelhos-da-redacao-do-enem-2021-sao-divulgados.ghtml

Análise da redação

Nesse primeiro exemplo, perceba que a participante apresenta logo no primeiro parágrafo um repertório sociocultural produtivo ao tema – o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Fernanda faz uso da narrativa ficcional para contextualizar o tema e associá-la à realidade no Brasil – a falta de acesso à cidadania.

A estudante ainda traz outros dois repertórios ao longo da redação (o pensamento de um historiador e de uma antropóloga) para fundamentar a sua redação, mostrando assim uma ampla bagagem cultural (veja os repertórios destacados em negrito). Além disso, no último parágrafo, ela desenvolve uma proposta de intervenção completa contendo ação, agente, modo/meio, finalidade e detalhamento.

 

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2 – Enem 2020 – Redação nota 1000

 

Tema: “O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”

Participante: Raíssa Piccoli Fontoura.

De acordo com o filósofo Platão, a associação entre saúde física e mental seria imprescindível para a manutenção da integridade humana. Nesse contexto, elucida-se a necessidade de maior atenção ao aspecto psicológico, o qual, além de estar suscetível a doenças, também é alvo de estigmatização na sociedade brasileira. Tal discriminação é configurada a partir da carência informacional concatenada à idealização da vida nas redes sociais, o que gera a falta de suporte aos necessitados. Isso mostra que esse revés deve ser solucionado urgentemente.

Sob essa análise, é necessário salientar que fatores relevantes são combinados na estruturação dessa problemática. Dentre eles, destaca-se a ausência de informações precisas e contundentes a respeito das doenças mentais, as quais, muitas vezes, são tratadas com descaso e desrespeito. Essa falta de subsídio informacional é grave, visto que impede que uma grande parcela da população brasileira conheça a seriedade das patologias psicológicas, sendo capaz de comprometer a realização de tratamentos adequados, a redução do sofrimento do paciente e a sua capacidade de recuperação. Somada a isso, a veiculação virtual de uma vida idealizada também contribui para a construção dessa caótica conjuntura, pois é responsável pela crença equivocada de que a existência humana pode ser feita, isto é, livre de obstáculos e transtornos. Esse entendimento falho da realidade fez com que os indivíduos que não se encaixem nos padrões difundidos, em especial no que concerne à saúde mental, sejam vítimas de preconceito e exclusão. Evidencia-se, então, que a carência de conhecimento associado à irrealidade digitalmente disseminada arquitetam esse lastimável panorama.

Consequentemente, tais motivadores geram incontestáveis e sérios efeitos na vida dos indivíduos que sofrem de algum gênero de doença mental. Tendo isso em vista, o acolhimento insuficiente e a falta de tratamento são preocupantes, uma vez que os acometidos precisam de compreensão, respeito e apoio para disporem de mais energia e motivação no enfrentamento dessa situação, além de acompanhamento médico e psicológico também ser essencial para que a pessoa entenda seus sentimentos e organize suas estruturas psicológicas de uma forma mais salutar e emancipadora. O filme “Toc toc” retrata precisamente o processo de cura de um grupo de amigos que são diagnosticados com transtornos de ordem psicológica, revelando que o carinho fraternal e o entendimento mútuo são ferramentas fundamentais no desenvolvimento integral da saúde. Mostra-se, assim, que a estigmatização de doentes mentais produz a escassez de elementos primordiais para que eles possam ser tratados e curados.

Urge, portanto, que o Ministério da Saúde (agente) crie uma plataforma (ação), por meio de recursos digitais (modo/meio), que contenha informações a respeito das doenças mentais e que proponha comportamentos e atitudes adequadas a serem adotados durante uma interação com uma pessoa que esteja com alguma patologia do gênero, além de divulgar os sinais mais frequentes relacionados à ausência de saúde psicológica (detalhamento). Essa medida promoverá uma maior rede informacional e propiciará um maior apoio aos necessitados (finalidade). Ademais, também cabe à sociedade e a mídia (agente) elaborar campanhas que preguem a contrariedade ao preconceito no que tange os doentes dessa natureza (ação), o que pode ser efetivado através de mobilizações em redes sociais e por intermédio de programas televisivos com viés informativo (modo/meio). Tal iniciativa é capaz de engajar a população brasileira no combate a esse tipo de discriminação (finalidade). Com isso, a ideia platônica será convertida em realidade no Brasil.”

Fonte: https://g1.globo.com/educacao/enem/2021/noticia/2021/05/28/enem-leia-redacoes-nota-mil-em-2020.ghtml

Análise da redação

No nosso segundo exemplo, perceba que Raíssa usou a estratégia argumentativa de causa e consequência (veja no segundo parágrafo), destacando as causas do problema e as consequências para a sociedade. No terceiro parágrafo, note que em poucas linhas a Raíssa apresenta um filme como repertório para exemplificar o seu argumento sobre a importância do carinho fraternal para lidar com as doenças mentais.

Além disso, é importante que você perceba que, assim como a redação anterior, ela fez uso de recursos coesivos ao longo do texto – os chamados operadores argumentativos avaliados na competência 4 –, por exemplo: “sob essa análise”, “consequentemente”  e “portanto”.

 

3 – Enem 2019 – Redação nota 1000

 

Tema: “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”

Participante: Stela Terra Lopes.

“A questão do acesso ao cinema, apesar de não ser amplamente discutida, é um problema muito expressivo no Brasil atualmente. A gravidade do quadro é evidenciada pelos dados do site Meio e Mensagem: 83% da população brasileira não frequentam tal ambiente. Nesse contexto, percebe-se que o acesso ao cinema não é democratizado e convém analisar as causas e impactos negativos dessa situação na sociedade.

Em primeiro lugar, é preciso compreender as causas dessa problemática. Em um mundo marcado pelo capitalismo, é comum que, cada vez mais, seja fortalecido o sistema de mercantilização do lazer, ou seja, este passa a ser vendido por empresas em forma de mercadoria. Nesse sentido, nota-se que, muitas vezes, parcelas da população com condições financeiras mais baixas acabam não conseguindo ter acesso às atividades de lazer, como o cinema, devido aos preços, geralmente, inacessíveis. Além disso, outro fator que contribui para a falta do amplo acesso da população ao cinema é a localização no interior dos shoppings, os quais, normalmente, estão situados nos centros das grandes cidades, o que acaba dificultando o acesso de moradores de bairros mais afastados. Dessa forma, o cinema no Brasil torna-se um ambiente elitizado.

Em segundo lugar, é importante salientar os impactos negativos desse quadro na sociedade. Tendo em vista que a parcela mais pobre da população, geralmente, não consegue arcar com os custos de frequentar o cinema e sabendo que o acesso ao lazer é um direito garantido pela Constituição Federal, percebe-se a ocorrência da ‘Cidadania de papel’, termo cunhado pelo escritor paulista Gilberto Dimenstein, que diz respeito à existência de direitos na teoria (Constituição), os quais não ocorrem, de fato, na prática. Sob essa perspectiva, nota-se que a falta de democratização do acesso ao cinema gera exclusão social das camadas menos favorecidas e impede que elas possam usufruir de seus direitos. 

Portanto, é mister que o Ministério da Infraestrutura (agente), em parceria com o Ministério da Cultura (agente), construa cinemas públicos (ação), por meio da utilização de verbas governamentais (modo/meio), a fim de atender a população que não pode pagar por esse serviço (finalidade), fazendo com que, assim, o acesso ao cinema seja democratizado e essa parcela da sociedade deixe de usufruir apenas de uma ‘Cidadania de papel’.”

Fonte: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/avaliacoes_e_exames_da_educacao_basica/a_redacao_do_enem_2020_-_cartilha_do_participante.pdf

Análise da redação

No nosso último exemplo, a estudante Stela apresentou dados estatísticos, a Constituição Federal e um livro de Gilberto Dimenstein “Cidadania de papel” como repertórios socioculturais para argumentar sobre a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Assim como os exemplos anteriores, a autora usou a causa e consequência como estratégia argumentativa.

 

Gostou de conhecer alguns exemplos de redação do Enem? Lembre-se de que todas essas redações só alcançaram a nota mil porque fizeram um projeto de redação antes de colocar as palavras na folha de entrega. Planejar as ideias, ponto de vista defendido, repertórios utilizados e proposta de intervenção é essencial para que o seu texto seja fluido, certeiro e, claro, atenda todas os requisitos da banca. Para isso, é necessário treinar muito!

Aqui no Redação Online você pode contar com a ajuda de professores especializados em redação. Confira os nossos planos de redação e continue acompanhando nossos conteúdos aqui no blog! Até a próxima leitura!

Marina Dias

Bacharela em Letras Língua Portuguesa e Literaturas pela UFSC, revisora de textos e redatora.

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