A objetificação dos corpos negros | Repertórios para o tema

por | jan 31, 2022

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Quer saber mais sobre “A objetificação dos corpos negros”? Confira alguns repertórios que listamos para o tema!

 

A objetificação dos corpos negros é um dos reflexos do racismo estrutural, que está presente no imaginário social desde o período escravocrata. Essa objetificação está ligada a estereótipos racistas que hipersexualizam as pessoas negras e as colocam em lugares de subalternidade.

São práticas que comumente se manifestam em comentários acerca dos corpos negros e na representação dessas pessoas na mídia, por exemplo. Ou seja, trata-se de racismo velado que violenta o povo negro até os dias de hoje.

Neste post, listamos alguns repertórios socioculturais para você saber mais sobre o assunto e fundamentar a sua redação sobre o tema “A objetificação dos corpos negros”. Siga a leitura!

 

Vídeo | Hipersexualização e objetificação: como estereótipos racistas impactam pessoas negras

 

Neste vídeo, do canal GNT, Luana Génot e Thalita Carauta discutem sobre a hipersexualização e a objetificação dos corpos negros e como os estereótipos racistas impactam a vida das pessoas negras.

Além disso, Thula Pires explica a definição da palavra “mulata”, termo racista que deriva da palavra espanhola “mula” e é usada para se referir às mulheres negras de pele clara. Segundo Thula, o termo reforça a ideia de que as mulheres negras estão a serviço do homem branco. Confira:

 

https://www.youtube.com/watch?v=4nyGUQJiAdo

 

Livro | Quem tem medo do feminismo negro?, de Djamila Ribeiro

 

O livro “Quem tem medo do feminismo negro” (2018) reúne artigos sobre raça e feminismo escritos pela filósofa Djamila Ribeiro. Em seus textos, ela aborda a objetificação e hipersexualização das mulheres negras, o termo “mulata” e a sua relação com o período escravocrata e como a mídia reforça estereótipos racistas.

No artigo “A mulata Globeleza: um manifesto”, Djamila analisa como a figura representada pela Globeleza objetifica as mulheres negras e fala sobre a importância da representatividade dessas mulheres em outros lugares que não sejam no entretenimento ligado à exploração do corpo. Em suas palavras:

“É necessário entender o porquê de se criticar lugares como o da Globeleza. Não é pela nudez em si, tampouco por quem desempenha esse papel. É por conta do confinamento das mulheres negras a lugares específicos. Não temos problema algum com a sensualidade, o problema é somente nos confinar a esse lugar, negando nossa humanidade, multiplicidade e complexidade. Quando reduzimos seres humanos a determinados papéis, retiramos sua humanidade e os transformamos em objetos.”

Você pode acessar o livro completo neste link. Sugerimos também a leitura dos artigos: “Mulher negra não é fantasia de Carnaval” e “O que a miscigenação tem a ver com a cultura do estupro?”.

 

Filme | Corra! (2017)

 

“Corra!” (Get out, 2017) é um filme estadunidense de terror psicológico produzido por Jordan Peele, cujo protagonista Chris é um jovem negro que se relaciona com uma mulher branca. Em um fim de semana, Chis viaja para conhecer a família da namorada e descobre que eles possuem um plano cruel.

Chis é a todo momento objetificado pelas pessoas brancas, que fetichizam a sua força corporal e negam a sua intelectualidade. Assim como outros personagens do filme – todos empregados da família –, ele tem o seu corpo visto como um bem a serviço das pessoas brancas.

Assista ao trailer a seguir:

 

https://www.youtube.com/watch?v=mDGV5UucTu8

 

Artigo | O negro, o drama e as tramas da masculinidade no Brasil, por Deivison Faustino

 

Este artigo, publicado na revista Cult, Deivison Faustino escreve sobre raça e masculinidades. Com base no pensamento do escritor, psiquiatra e ativista Frantz Fanon, o autor aponta a objetificação vivida pelos homens negros. 

Ele aponta que de acordo com Fanon, o homem negro não é visto como um homem na sociedade, uma vez que a noção de humanidade foi estabelecida na Europa colonialista. Ou seja, ao homem negro somente o papel de “objeto” de trabalho. Conforme Faustino:

“O racismo, representa, assim, antes de qualquer coisa, a negação substancial – e não apenas linguística – da humanidade das pessoas negras; por isso, ‘o negro, não é um homem’.”

Leia o artigo completo aqui.

 

Documentário | A Negação do Brasil (1996)

 

A objetificação dos corpos negros está muito presente nos personagens das novelas, filmes e literatura. No documentário “A negação do Brasil” (1996), o diretor e pesquisador Joel Zito Araújo analisa o retrato das pessoas negras nas novelas da TV brasileira entre as décadas de 1960 e 1990. 

O documentário mostra os preconceitos, os estereótipos reforçados pela TV e a luta dos atores negros pelo reconhecimento de sua importância na telenovela. Disponível no Youtube:

 

https://www.youtube.com/watch?v=EvNPhyS863o

 

História | Sarah Berteman

 

A história de Sarah Berteman é um ótimo exemplo de como os corpos das pessoas negras historicamente são objetificados e explorados – até mesmo após a morte.

Sarah Berteman foi uma mulher africana, do povo Khoisan, que foi levada para a Europa no século XIX para ser exibida como “aberração” em circos de Londres e Paris, onde as pessoas observavam suas nádegas. Ela recebeu o nome de “A Vênus Hotentote” e também foi vítima de racismo científico.

Após a sua morte, seu cérebro, esqueleto e órgão sexual continuaram sendo exibidos no Museu do Homem em Paris até 1974. Foi somente em 2002 que seus restos mortais retornaram à África a pedido de Nelson Mandela e foram enterrados.

A história de Sarah Berteman hoje simboliza as atrocidades e a desumanização que os povos sul-africanos sofreram.

Para saber mais sobre a sua história, leia esta matéria ou assista o filme “Vênus negra” (2010). O trailer você confere a seguir:

 

https://www.youtube.com/watch?v=AIfYvmFxVCg

 

Música | “Ain’t I a Woman?”, Luedji Luna

 

A objetificação dos corpos negros afeta diretamente nas suas relações afetivas. Na música Ain’t I a Woman?, a cantora baiana Luedji Luna denuncia a objetificação de um corpo que é tratado apenas para prazer.

Nos últimos versos, ela canta: “Eu sou a preta que tu come e não assume” e a seguir faz referência a uma famosa frase da teórica feminista bell hooks “e eu não sou uma mulher”? Aperta o play!

 

https://www.youtube.com/watch?v=MitlOw_f_9g

 

E aí, o que você achou das nossas indicações? Você lembrou de outro repertório? Queremos saber! Escreva a sua redação sobre o tema A objetificação dos corpos negros e envie em nossa plataforma que a corrigimos em até 3 dias úteis!

 

Marina Dias

Bacharela em Letras Língua Portuguesa e Literaturas pela UFSC, revisora de textos e redatora.

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