A regência verbal é um aspecto que sempre nos deixa em dúvida e acaba nos prejudicando em nossas redações. Um dos principais motivos por termos essa dificuldade na hora da escrita acontece porque na linguagem oral não costumamos empregar corretamente as regências dos verbos.

Então, para não marcar bobeira na redação do Enem ou do vestibular, chegou a hora de retomar esse conteúdo. A maioria dos verbos da língua portuguesa apresenta apenas uma transitividade, ou seja, uma única regência.

Há, porém, os que apresentam múltipla regência. Por isso, fique ligado nessas particularidades da nossa língua e os seus diferentes usos.

Em primeiro lugar, vale lembrar que, quanto à regência verbal, os verbos podem ser:

Redação enem
  • Transitivo direto: quando seu complemento é um objeto direto, como no seguinte exemplo:

Comemos uma lasanha deliciosa.

Comer é um verbo transitivo direto pois não exige que seu objeto seja preposicionado.

  • Transitivo indireto: nos casos em que o complemento é um objeto indireto. Veja um exemplo:

Telefonei para João.

Telefonar é um verbo transitivo indireto pois exige a preposição. No exemplo dado, quem telefona, telefona “para” alguém.

  • Transitivo direto e indireto: que apresentam um objeto direto e um indireto. Confira:

Comprei um presente para Mariana.

O verbo “comprar” pede dois complementos. Quem compra, compra algo para alguém ou para alguma coisa.

  • Verbo intransitivo: verbos que não precisam de objeto. Como nesse exemplo:

Eu corro.

O verbo correr não pede objeto. Você até pode falar “Corro todos os dias”, ou outros complementos, mas esses elementos não interferem na transitividade do verbo, pois ele já faz sentido por si só.

Agora, vamos relembrar aqueles verbos que sempre aparecem nos exemplos de gramáticas e apostilas. Eles também costumam cair em questões de múltipla escolha de vestibulares e concursos. Vale dar uma conferida:

ASPIRAR

O verbo aspirar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto.

1. Transitivo direto: quando significa “sorver”, “tragar”, “inspirar” e exige complemento sem preposição. Como nesses exemplos:
Ela aspirou o aroma das flores.
Todos nós gostamos de aspirar o ar do campo.

2. Transitivo indireto: quando significa “pretender”, “desejar”, “almejar” e exige complemento com a preposição “a”. Confira:
O candidato aspirava a uma posição de destaque.
Ela sempre aspirou a esse emprego.

ASSISTIR

O verbo assistir pode ser transitivo indireto, transitivo direto e intransitivo.

1. Transitivo indireto: quando significa “ver”, “presenciar”, “caber”, “pertencer” e exige complemento com a preposição “a”. Veja exemplos:

Assisti a um filme. (ver)
Ele assistiu ao jogo.
Este direito assiste aos alunos. (caber)

2. Transitivo direto: quando significa “socorrer”, “ajudar” e exige complemento sem preposição. Confira um exemplo:
O médico assiste o ferido. (cuida)

3. Intransitivo: quando significa “morar”, ele exige a preposição “em”. Como nos seguintes exemplos:
O papa assiste no Vaticano. (no: em + o)
Eu assisto no Rio de Janeiro.
“No Vaticano” e “no Rio de Janeiro” são adjuntos adverbiais de lugar.

CHAMAR

O verbo chamar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto.

1. Transitivo direto: quando significa “convocar”, “fazer vir” e exige complemento sem preposição. Confira:
O professor chamou o aluno.

2. Transitivo indireto: quando significa “invocar” e é usado com a preposição “por”. Veja um exemplo:
Ela chamava por Jesus.

VISAR

Pode ser transitivo direto (sem preposição) ou transitivo indireto (com preposição).

1. Transitivo direto: Quando significa “dar visto” e “mirar” é transitivo direto. Confira dois exemplos:
O funcionário já visou todos os cheques. (dar visto)
O arqueiro visou o alvo e atirou. (mirar)

2. Transitivo indireto: Quando significa “desejar”, “almejar”, “pretender”, “ter em vista” é transitivo indireto e exige a preposição “a”. Veja exemplos:
Muitos visavam ao cargo.
Ele visa ao poder.

ESQUECER – LEMBRAR
– Lembrar algo – esquecer algo
– Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição. Como nesse exemplo:
Ele esqueceu o livro.

No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto, transitivos indiretos. Confira:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alteração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes. Confira dois exemplos:

Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)

PREFERIR

É transitivo direto e indireto, ou seja, possui um objeto direto (complemento sem preposição) e um objeto indireto (complemento com preposição). Confira dois exemplos:
Prefiro cinema a teatro.
Prefiro passear a ver TV.

SIMPATIZAR

É transitivo indireto e exige a preposição “com”. Como nesse exemplo:
Não simpatizei com os jurados.

QUERER

Pode ser transitivo direto (no sentido de “desejar”) ou transitivo indireto (no sentido de “ter afeto”, “estimar”). Confira:
A criança quer sorvete
Quero a meus pais.

NAMORAR

É transitivo direto, ou seja, não admite preposição. Veja um exemplo:
Maria namora João.

OBEDECER

É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com a preposição “a” (obedecer a). Confira:
Devemos obedecer aos pais.

VER

É transitivo direto, ou seja, não exige preposição. Como nesse exemplo:
Ele viu o filme.

Bastante coisa para dar conta, né? Mas você não deve se preocupar. Quando você for revisar seus textos ou corrigir seus exercícios de gramática, consulte nossas dicas sobre regência verbal. Assim, aos poucos você vai internalizando todas essas informações. E conte com o Redação Online para te dar todo o suporte na hora de se preparar para o Enem e para o vestibular!

Comentários do Facebook