Uso dos Porquês na redação: quando usar Por que, Porquê, Por quê e Porque

por | mar 9, 2022

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Você tem dúvidas sobre o uso dos porquês? Essa é uma regra gramatical que causa muita confusão entre os estudantes que estão prestando vestibulares, concursos ou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Afinal, na língua portuguesa existem quatro tipos de porquês – “por que”, “porquê”, “por quê” e “porque” – e o uso de cada um vai depender do sentido que pretendemos dar a um enunciado.

É bem provável que você já se perguntou quando usar cada um, não é mesmo? Para você não errar mais no uso dos porquês na redação ou até mesmo nas questões objetivas dos exames, fizemos este artigo explicando quando usar cada um. Você confere também exemplos e dicas para não cometer mais esse erro. Continue a leitura!

 

Quando usar “por que” separado e sem acento

 

O “por que” separado e sem acento é sempre usado para expressar “motivo” ou “razão”. Pode ser usado no início das frases interrogativas diretas (com ponto de interrogação no final) ou no meio das frases interrogativas indiretas (finalizadas com ponto final). 

Nesse sentido, “por que” é usado em perguntas ou como pronome relativo, uma vez que ele pode ser substituído pelas expressões “pelo qual” ou “por qual”.  Veja alguns exemplos a seguir:

  • frases interrogativas diretas: “Por que você não foi na aula?”; “Por que não estudamos mais redação?”
  • frases interrogativas indiretas: “Quero saber por que você não foi na aula.”; “Quero saber por que não estudamos mais redação.”

Ficou difícil? Uma dica para não errar, é substituir o “por que” pelas expressões “por qual motivo” ou “por qual razão”. A frase citada acima, por exemplo, ficaria assim: “Por qual motivo você não foi na aula?” ou “Quero saber por qual razão você não foi na aula.”

Por se tratar de uma pergunta, esse tipo de porquê não é muito usado na redação do Enem e vestibulares, visto que em um texto dissertativo-argumentativo não é recomendado usar frases interrogativas. Isso não significa que você não pode usar, mas sim que é preciso ter cuidado e escrever uma resposta logo em seguida.

 

Quando usar “porquê” junto e com acento

 

O “porquê” junto e com acento circunflexo é o que mais causa dúvidas. Afinal, ele é usado como um substantivo e como sinônimo de “motivo” e “razão”. Por ter valor substantivo, geralmente ele será antecedido pelo artigo definido “o” (podendo estar no singular ou no plural) ou, ainda, pelo artigo indefinido “um”.

Veja os exemplos: 

  • “A mídia precisa explicar o porquê dessas campanhas serem importantes.”
  • “São muitos os porquês de persistir esse problema na sociedade.”
  • “Deve haver um porquê disso acontecer.”

Observe que nas duas frase é possível trocar o “porquê” pelos sinônimos “motivo”ou “razão”. Assim: “A mídia precisa explicar o motivo dessas campanhas serem importantes.”, “São muitas as razões de persistir esse problema na sociedade.” e “Deve haver uma razão disso acontecer.”

Na redação, esse tipo de porquê é mais indicado e você pode usá-lo para apontar motivos na sua argumentação.

 

Quando usar “por quê” separado e com acento

 

O “por quê”, separado e com acento circunflexo, é sempre usado no final de frases antes de pontuação – ponto de interrogação, exclamação ou ponto final. Além disso, ele também pode ser usado de maneira isolada, desde que seja seguido por pontuação.

Confira alguns exemplos: 

  • “Ele saiu correndo e não disse por quê!”
  • “Os preconceitos permanecem até hoje e precisamos entender por quê.”
  • “Você acordou tão cedo por quê?”
  • “Você foi mal na prova? Por quê?”

Esse tipo de porquê é usado no sentido de “por qual motivo” ou “por qual razão”. Sendo assim, ele também expressa um questionamento e, por isso, deve ter cuidado na hora de usá-lo na redação.

 

Quando usar “porque” junto e sem acento

 

O quarto e último tipo é o “porque” junto e sem acento. Ele é o preferido dos falantes da língua e é usado para frases que apontam uma causa, motivo ou explicação. Em outras palavras, ele é usado sempre para responder uma pergunta.

Confira alguns exemplos:

  • “Os cidadãos não se conscientizam porque não há campanhas sobre o tema.”
  • “O problema persiste até hoje porque não há incentivo do governo.”
  • “Investir em educação é urgente porque só ela poderá formar pessoas mais conscientes.” 

Como você pode ver nos exemplos, o “porque” pode ser utilizado em contextos que você precisa explicar os motivos e causas de uma questão ou problema. Logo, ele é perfeito para um texto dissertativo-argumentativo.

Quer conferir mais dicas sobre o uso dos porquês na redação? Confira o vídeo que a professora Chay, do Redação Online, preparou para você:

https://www.youtube.com/watch?v=w5VIMy0ropg

 

Resumo sobre o uso dos porquês

 

Para você não errar mais no emprego dos porquês, vamos recapitular tudo o que vimos nesse conteúdo? Vamos lá! 

  • “Por que” (separado e sem acento): é usado em frases interrogativas diretas (no começo de frases finalizadas com ponto de interrogação) ou indiretas (no meio de frases finalizadas com ponto final). Dica para não errar: substituir pelas expressões “por qual motivo?” ou “por qual razão?”.
  • “Porquê” junto e com acento: é usado como substantivo e pode ser substituído pelos sinônimos “motivo” ou “razão”. Dica: é antecedido por artigos definidos (“o porquê” e “os porquês”) ou ainda por artigo indefinido (“um porquê”).
  • “por quê” separado e com acento: é usado no final de frases e antes de pontuação ou, ainda, usado de forma isolada antes de pontuação.
  • “porque” junto e sem acento: é usado em frases para explicar uma causa e motivo, ou seja, é usado sempre para responder perguntas.

Como você pode ver, existem regras diferentes que definem o uso dos porquês. Não é à toa que um dos erros gramaticais mais cometidos pelos falantes é esse, não é mesmo? Agora ficou mais fácil de entender quando usar os porquês? Garantimos que quanto mais você treinar, fazendo exercícios e/ou aplicando na redação, mais fácil será usá-los em qualquer contexto.

Aqui no blog ou em nosso canal no Youtube estamos sempre dando dicas práticas de português como essa. Continue acompanhando nossos conteúdos semanais!

Marina Dias

Bacharela em Letras Língua Portuguesa e Literaturas pela UFSC, revisora de textos e redatora.

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