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O preconceito linguístico em questão no Brasil

No livro ``Alice através do espelho ``, a protagonista é ridicularizada pela Rainha Vermelha por falar de maneira supostamente vulgar. Contudo, a ideia de inferiorizar alguém devido a aspectos linguísticos não é exclusiva do mundo literário, já que ela acontece também na realidade, especialmente no Brasil, país no qual impera uma incessante tentativa de uniformizar a língua. Diante disso, é prudente analisar os prejuízos individuais e sociais desse tipo de preconceito para que se possa, assim, combatê-lo


No que concerne ao primeiro ponto, vale frisar que tal processo submete o sujeito a uma vida deplorável. A fim de compreender essa lógica, pode-se recorrer ao que diz o filósofo Thomas Hobbes. O pensador afirma, na sua obra ``O Leviatã ``, que é dever de toda a sociedade repudiar o escárnio e a ridicularização dos outros, evitando, dessa forma, a chamada pusilanimidade. Sob essa ótica, o preconceito linguístico busca reduzir pessoas pelo simples motivo de elas falarem de forma diferente da maioria, o que vai de encontro ao que foi exposto por Hobbes e marginaliza certos grupos sociais. Depreende-se, portanto, que, por desestabilizar de forma incisiva o bem-estar do indivíduo, essa barbárie não pode continuar vigente no panorama brasileiro.


Quanto ao segundo viés, cabe comentar sobre o quão maléfico é o predomínio das pré-concepções supracitadas para a ideia de diversidade nacional. Acerca desse contexto, o antropólogo Darci Ribeiro defende a tese de que existem vários ``Brasis``, o que torna impossível tratar de forma homogênea um território tão vasto. No entanto, tal noção é negada de maneira questionável pelos veículos de informação que, ao priorizarem as expressões linguísticas da região Sudeste em sua programação, criam um sentimento de exclusão dentre aqueles que não fazem parte desse cenário. Em decorrência disso, os marginalizados abdicam de toda a tradição advinda de sua fala para adaptarem-se à cultura dominante. Vê-se, então, que, para preservar a pluriculturalidade apontada por Darci, é imprescindível que haja uma modificação midiática.


A partir das considerações feitas, é cabível a apresentação de um caminho exequível que lute contra a problemática tratada. Para tal, a mídia deve, ao mesmo tempo, trazer o assunto à tona para incitar uma reflexão pela população e mudar a sua postura em relação a esse tema. Tal projeto pode ser instrumentalizado por meio da realização de campanhas sociais nos mais diversos âmbitos comunicativos – como séries, novelas e reportagens -, mediados por professores e pedagogos que visem valorizar o repertório histórico das diferentes formas de fala. Assim, a negligência vivida por Alice residirá apenas na área da ficção.

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