
Já falamos por aqui sobre a importância de estudar a redação por eixos temáticos, lendo livros e notícias, assistindo a filmes e séries sobre cada temática. Porém, saiba que ter bons repertórios curingas é uma ótima estratégia para você se sair bem em qualquer tema de redação.
São considerados repertórios curingas aqueles que abordam assuntos diversos ou mesmo um conceito-chave – por exemplo, relacionado a direitos humanos –, que servirão como uma “carta na manga” para você fundamentar a sua tese independente do tema de redação.
Sabe aquela série que você assistiu e que aborda vários assuntos diferentes? Então, ela pode ser um repertório muito produtivo!
Para ajudar você em seus estudos, a nossa dica de hoje é uma lista de repertórios curingas que englobam os diversos eixos temáticos: educação, meio ambiente, cultura e comportamento, segurança, linguagem e tecnologias, direitos e cidadania. Vamos conferir?
A nossa primeira indicação é a série canadense Anne With An E (2017), disponível na Netflix. A série narra a história da protagonista Anne Shirley, uma menina órfã que é adotada por engano por um casal de irmãos em idade avançada. O cenário da trama se passa no começo do século XX em uma pequena cidade do Canadá, chamada Green Gables.
Anne tem uma personalidade muito marcante. Ela é inteligente, extrovertida, imaginativa e questionadora, o que faz com que ela enfrente muitos preconceitos na sociedade da época – e que refletem até os dias de hoje.
A série aborda vários assuntos pertinentes que podem cair na redação. Um deles é a diversidade na configuração familiar, visto que a família adotiva de Anne é composta por dois irmãos idosos que nunca se casaram e sofrem estigmas por isso.
Outros temas relacionados são: a importância da educação e incentivo à leitura, papéis de gênero, racismo, homofobia, bullying, meio ambiente, catequização dos povos indígenas, entre outros.
Black Mirror (2011) é outra série curinga, disponível na Netflix, que vale a pena assistir com um caderninho na mão! Para quem nunca viu, trata-se de uma série de ficção científica, criada por Charlie Brooker, que aborda de forma distópica a nossa relação com a tecnologia. Os episódios não possuem uma sequência, ou seja, cada episódio conta uma história diferente carregada de crítica social.
Essa série praticamente engloba todos os eixos temáticos, com destaque especial para temas relacionados ao capitalismo, desigualdade social, vazamento de fotos na internet, alienação, inteligência artificial e a sociedade do espetáculo.
Vale muito a pena ver as cinco temporadas. Porém, fique de olho nestes episódios:
Mais curinga que este livro não há! O livro Cidadão de Papel (1994), escrito por Gilberto Dimenstein, discute sobre os direitos das crianças e adolescentes no Brasil.
Neste livro, o autor aponta que os direitos dos cidadãos são garantidos apenas na Constituição, ou seja, na prática eles não existem – daí o termo “cidadão de papel”. Para fundamentar essa crítica, ele destaca as altas taxas de desemprego, violência, analfabetismo e fome existentes no país.
Assim como a própria Constituição – que também pode ser utilizada como repertório –, este livro é um curingão para embasar a sua defesa, uma vez que o autor discute sobre questões fundamentais: cidadania, democracia e direitos humanos.
São conceitos que podem servir como repertório para diversos temas relacionados à desigualdade social, desemprego, renda, violência, direitos das minorias, acesso à saúde, entre outros.
É bem provável que você já tenha visto esse filme, pois ele é um clássico! Baseado em fatos reais, Escritores da liberdade (2007) tem como protagonista a professora Erin Gruwell que começa a lecionar em uma escola localizada em um bairro periférico dos EUA.
Ao se deparar com a realidade da turma, marcada pela violência, pobreza e preconceito, Erin aplica um método de ensino diferente do tradicional que transforma a vida dos jovens. Com esse método, os alunos se tornam mais participativos, críticos e resilientes.
Esse filme destaca a importância da educação e a relação entre professor e aluno, o que pode servir de base para a solução que você deve elaborar diante do problema proposto na redação. No mais, outras questões também são abordadas, como desigualdade social, violência, tráfico de drogas e racismo.
Explicando (2018) é uma série documental, produzida em parceria com o site Vox, que debate sobre diversos assuntos de forma bem didática e com a participação de vários especialistas.
Praticamente, a série engloba todos os eixos temáticos, desde o meio ambiente à cultura e lazer. Os episódios são curtinhos e cada um deles aborda um tema pertinente à nossa atualidade. Por exemplo, a pandemia do coronavírus, o conceito de politicamente correto, a discussão em torno da cannabis, a crise climática e o direito ao voto.
A série também está disponível na Netflix.
Nada melhor do que uma boa música, não é? Nossa última indicação é a música “Velha roupa colorida”, composta por Belchior. Ela foi lançada na época da ditadura militar no Brasil, nos anos 70, e se tornou um clássico na voz de Elis Regina.
Essa canção fala, sobretudo, de mudanças sociais e esperança. E nada mais curinga do que uma citação sobre transformar a realidade, não é? Afinal, toda redação (principalmente do ENEM) exige que você apresente uma solução para o problema – o que não deixa de ser uma proposta de mudança.
Você pode utilizar apenas uma citação da música. Mas, lembre-se, desde que muito bem contextualizada, ok? Veja um trecho a seguir:
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
Você não sente, não vê mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
E aí, gostou das dicas? Além dessa lista que sugerimos, existem outros repertórios curingas que você pode utilizar em sua redação. Então, que tal fazer a sua própria lista? Leia este post que fizemos sobre como melhorar o seu repertório sociocultural e se prepare para a redação!
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Sucesso na Netflix, o filme Salve Rosa é um alerta sobre a superexposição infantil nas redes. A obra discute a exploração da imagem e é um repertório essencial para redações sobre o tema.
Em seu novo álbum The Life of a Showgirl (2025), Taylor Swift retoma o mito de Ofélia no single The Fate of Ophelia.No clipe, ela interpreta uma Ofélia moderna, cercada por câmeras, paparazzi e espectadores, simbolizando como a mulher contemporânea também é sufocada, não mais pela realeza, mas pela pressão da fama, da internet e da aparência. Assim como Ofélia foi o reflexo da submissão feminina no século XVII, a Ofélia pop de Taylor denuncia o colapso emocional causado pela cultura da exposição e pela cobrança estética atual. É uma releitura que une literatura clássica e crítica social moderna, transformando a tragédia de Shakespeare em um espelho da nossa era digital. Quem é Ophelia? Criada por William Shakespeare, Ophelia (Ofélia) é uma das personagens mais trágicas do teatro ocidental.Ela aparece na peça Hamlet, escrita por volta de 1600, e representa o ideal feminino da época: pura, delicada e submissa.Filha de Polônio e amada por Hamlet, ela é manipulada por todos os homens à sua volta, o pai, o irmão Laertes e o próprio príncipe Hamlet. Quando Hamlet, em um momento de raiva, mata o pai dela, Ofélia enlouquece e acaba se afogando em um rio, símbolo da perda total de controle sobre a própria vida. Essa cena se tornou uma das mais marcantes da literatura, e a imagem de Ofélia cercada de flores, submersa na água, representa até hoje a mulher silenciada pela opressão patriarcal. O que Taylor Swift quis dizer com The Fate of Ophelia Em seu novo álbum The Life of a Showgirl (2025), Taylor Swift retoma o mito de Ofélia no single The Fate of Ophelia.No clipe, ela interpreta uma Ofélia moderna, cercada por câmeras, paparazzi e espectadores, simbolizando como a mulher contemporânea também é sufocada, não mais pela realeza, mas pela pressão da fama, da internet e da aparência. Assim como Ofélia foi o reflexo da submissão feminina no século XVII, a Ofélia pop de Taylor denuncia o colapso emocional causado pela cultura da exposição e pela cobrança estética atual. É uma releitura que une literatura clássica e crítica social moderna, transformando a tragédia de Shakespeare em um espelho da nossa era digital. Temáticas que podem surgir a partir de Ophelia Como usar Ophelia na redação Para aplicar esse repertório de forma produtiva: 📝 Exemplo: “A trajetória de Ofélia, revisitada por Taylor Swift em The Fate of Ophelia, evidencia que, apesar do avanço social, a mulher ainda é aprisionada por expectativas externas que moldam sua aparência, comportamento e valor.” Conclusão A personagem Ofélia ultrapassou os séculos e, nas mãos de Taylor Swift, ganhou um novo significado: o da mulher contemporânea que luta para não ser silenciada pelas pressões externas.A simbologia da jovem submersa, agora iluminada pelos refletores da fama, reflete o dilema da identidade feminina na era digital, entre ser vista e ser livre. Assim, usar The Fate of Ophelia na redação é mais do que citar uma obra: é compreender como arte, literatura e música dialogam para denunciar as mesmas feridas sociais que persistem há séculos.