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Excesso de trabalho e saúde mental

Os versos da música "Boca de lobo" do Criolo - "Hoje não tem boca para se beijar, não tem alma para se lavar, não tem vida para se viver, mas tem dinheiro para se comprar" - indicam a tendência da sociedade contemporânea em valorizar intensamente o capital e o trabalho. Entretanto, com essa cultura, a saúde mental é prejudicada, pois os indivíduos relegam o convívio social ao segundo plano e isso pode gerar um quadro de anomia generalizada.


Em primeira análise, nota-se que na sociedade contemporânea o consumo é tomado como sinônimo de felicidade. Com isso, o indivíduo passa a trabalhar excessivamente, a fim de consumir mais e, assim, ser mais realizado. No entanto, tal prática pode desencadear uma série de doenças psíquicas, tal como o protagonista da série televisiva "Mindhunter" que, por superestimar o trabalho em detrimento da vida social, desencadeia a doença de síndrome do pânico. A ficção é um espelho da sociedade contemporânea, na qual o afastamento do trabalho por problemas emocionais, como ocorrido no seriado, é crescente: no estado de São Paulo, os casos de afastamentos subiram de 48 para 73, apenas de 2017 a 2018, segundo dados da Secretaria de Previdência.


Em segunda análise, é importante destacar a possibilidade do surgimento de uma anomia social generalizada, semelhante àquela descrita pelo sociólogo francês Émile Durkheim, na qual os indivíduos enxergariam de forma distorcida a sua função social, a partir do trabalho excessivo, levando a um quadro de anomia -depressão-  coletiva. Esse contexto pode implicar uma superlotação dos centros psiquiátricos públicos e, consequentemente, na pior das hipóteses, o retorno de práticas rudimentares para o tratamento psiquiátrico -como eletrochoques e lobotomia- entre aqueles mais pobres, tem seu risco aumentado.


Por conseguinte, é válido pontuar, a partir das análises postas, a necessidade da sociedade civil em identificar que o consumo não é sinônimo de felicidade. Isso pode ocorrer a partir do aumento na carga horária pessoal destinada ao lazer, ao praticar visitação a museus, cinema e outras atividades culturais, a fim de cuidar da saúde mental individual. Concomitantemente a isso, seria interessante se o Estado promovesse políticas públicas capazes de reforçar a infraestrutura dos centros de ajuda psiquiátrica, para que um quadro de anomia coletiva seja evitado. Assim, o trabalho não será excessivo e seu impacto sobre a saúde mental da população será amenizado.

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