Falamos muito por aqui sobre as melhores formas de garantir uma belíssima nota 1000 em sua redação do ENEM, e, tão importante quanto ter ferramentas para escrever bem, é saber como sua redação será corrigida.

A correção da redação do ENEM é estruturada em competências e a escolha do termo competências já nos conta bastante sobre o principal objetivo da produção textual deste teste.

Espera-se que o aluno tenha sim conteúdo e repertório para dissertar a respeito do tema selecionado, mas, além de saber sobre o tema, é essencial que ele saiba como usar todos os recursos da língua a fim de expressar da melhor maneira possível seu ponto de vista, seus argumentos e sua proposta de intervenção.

As competências para a correção da redação são divididas em cinco quesitos e cada uma dá conta de avaliar uma forma de aplicação da língua ou de desenvolvimento do tema.

Sabendo que a nota máxima a se alcançar é a de 1000 pontos, fica fácil compreender que cada competência equivale à nota máxima de 200 pontos, sem nenhuma prevalência de uma competência em detrimento da outra. Todas têm exatamente o mesmo peso na composição da nota final.

Os conceitos alcançados em cada uma das competências podem variar em pontuação entre 200, 160, 120, 80, 40 e 0 pontos (diferença de 40 pontos em cada uma das escalas).

Ao contrário do que muita gente pensa, os padrões de correção são fixos e são seguidos por todos os corretores. Cada competência tem a descrição de quais critérios compõem cada nível de pontuação.

Os corretores, que, necessariamente, são profissionais formados na área de Letras, passam por treinamento unificado para que possam dominar e obedecer aos padrões de correção.

Para evitar qualquer injustiça, todas as redações são corrigidas por dois corretores diferentes, sem que um tenha acesso à correção do outro. Não pode haver discrepância entre as correções (diferença igual ou superior a 80 pontos por competência) e a nota final é a média entre as duas notas.

Havendo discrepância entre as correções, a redação será corrigida por um terceiro corretor. Permanecendo a discrepância, é montada uma banca com três outros corretores e a nota é fechada com base na média entre as correções da banca.

Redações com nota 1000 também passam pela avaliação da banca. Os candidatos, independentemente do conceito final, têm acesso ao espelho da correção da redação.

Todas as informações estão disponíveis de forma bastante clara e detalhada no portal do Ministério da Educação, mas também trouxemos para vocês um resumo sobre os principais tópicos a respeito da correção da redação.

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As cinco competências avaliativas da redação

Você perceberá que as competências estão organizadas numa ordem gradativa, tanto com relação aos níveis de dificuldade e aprofundamento, quanto acerca das próprias partes de um texto dissertativo-argumentativo.

  • Competência I: Domínio da norma culta da Língua Portuguesa

Nesta competência, o candidato deverá demonstrar, por meio da forma como escolheu redigir seu texto, se domina ou não o padrão considerado culto da Língua Portuguesa. Mas o que isso quer dizer na prática?

Essencialmente, o autor do texto precisa ter em mente que a norma culta leva em conta as regras gramaticais, ortográficas e de pontuação, não admite abreviações nem termos informais. É praticamente como andar com a gramática e o dicionário embaixo do braço.

No caso das gírias ou expressões próprias da oralidade, o uso só será aceito se houver relação direta com o tema e mesmo assim enquanto exemplificação.

As pontuações são aferidas da seguinte forma:

– 200 pontos: Domínio excelente;

– 160 pontos: Bom domínio, com poucos desvios;.

– 120 pontos: Domínio regular, mediano, com alguns desvios;

– 80 pontos: Domínio insuficiente, com muitos desvios;

– 40 pontos: Domínio precário, com muitos desvios. Falta de domínio das convenções escritas da língua.

– 0 ponto: Desconhecimento da modalidade culta escrita da língua.

  • Competência II: Compreensão da proposta de redação e aplicação das várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema.

Note como a competência II está intimamente ligada ao que é escrito na introdução e no desenvolvimento.

A introdução é o primeiro momento que o candidato tem para demonstrar sua compreensão a respeito da proposta de redação e o desenvolvimento, para atender à estrutura de um texto dissertativo-argumentativo, é o espaço destinado para fazer links com diversas áreas do conhecimento a fim de ampliar e aprofundar o que foi dito na introdução.

Um erro bastante comum que faz muita gente perder pontos nesta competência é a repetição do tema na introdução, bem no estilo “hoje vamos falar sobre…”. Lembre-se: a competência avalia se você compreendeu a proposta e não como está sua habilidade de cópia.

É também na competência II que a obediência à estrutura do texto dissertativo-argumentativo é avaliada.

As pontuações da competência II são assim divididas:

– 200 pontos: Desenvolvimento do tema por meio de argumentação consistente. Repertório sociocultural excelente e domínio excelente do texto dissertativo-argumentativo;

– 160 pontos: Desenvolvimento do tema por meio de argumentação consistente. Bom repertório sociocultural. Bom domínio da estrutura do texto dissertativo-argumentativo;

– 120 pontos: Desenvolvimento do tema por meio de argumentação previsível. Repertório sociocultural mediano. Domínio mediano da estrutura do texto dissertativo-argumentativo;

– 80 pontos: Desenvolvimento do tema por meio de cópia de trechos dos textos motivadores e/ou domínio da estrutura do texto dissertativo-argumentativo e repertório sociocultural insuficientes;

– 40 pontos: Tangenciamento do tema e/ou domínio da estrutura do texto dissertativo-argumentativo e repertório sociocultural precários. Apresenta trechos de outro gênero textual.

– 0 pontos: Fuga ao tema ou não atendimento à estrutura do texto dissertativo-argumentativo. Caso isso ocorra, a redação é automaticamente zerada, sem análise das demais competências.

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  • Competência III: Seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos na defesa de um ponto de vista.

Esta é propriamente uma competência que avalia a qualidade da sustentação de seus argumentos, quais fontes foram usadas, qual a relevância delas e como elas se relacionam com o tema geral e com o ponto de vista do candidato.

Os conceitos são definidos conforme demonstramos a seguir:

– 200 pontos: Apresentação de informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto de forma consistente e organizada, configurando autoria;

– 160 pontos: Apresentação de informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto de forma organizada, dando indícios de autoria;

– 120 pontos: Apresentação de informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto recorrendo unicamente aos argumentos dos textos motivadores e com pouca organização;

– 80 pontos: Apresentação de informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, mas de forma desorganizada ou contraditórios. Argumentos limitados aos textos motivadores;

– 40 pontos: Apresentação de informações, fatos e opiniões pouco relacionados ao tema ou incoerentes. Sem defesa de um ponto de vista;

– 0 ponto: Apresentação de informações, fatos e opiniões não relacionados ao tema. Sem defesa de um ponto de vista.

  • Competência IV: Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Você percebeu como a competência IV é uma ampliação da competência I? Lá, você precisará demonstrar que conhece as regras da língua. Aqui, você precisará demonstrar que sabe aplicar a língua a um propósito textual.

É também na competência IV que os mecanismos de coesão e coerência serão avaliados.

A organização dos conceitos é a que se segue:

– 200 pontos: Boa articulação das partes do texto. Repertório diversificado de recursos coesivos (como o uso dos advérbios, preposições e conjunções como elementos com o objetivo de apresentar, somar ou opor ideias dentro do mesmo parágrafo e entre os parágrafos);

– 160 pontos: Boa articulação das partes do texto, com poucos desvios. Repertório diversificado de recursos coesivos;

– 120 pontos: Articulação mediana das partes do texto, com inadequações. Repertório pouco diversificado de recursos coesivos;

– 80 pontos: Articulação insuficiente das partes do texto, com muitas inadequações. Repertório limitado de recursos coesivos;

– 40 pontos: Articulação precária das partes do texto;

– 0 ponto: Não articulação das informações.

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  • Competência V: Elaboração da proposta de solução ao problema apresentado. Respeito aos valores e direitos humanos e à diversidade sociocultural.

Como não poderia deixar de ser, a competência V está relacionada à conclusão e, principalmente, à forma como o candidato vai elaborar a solução ao problema discutido ao longo do texto.

São estes os critérios da competência:

– 200 pontos: Elaboração muito boa da proposta de intervenção, com detalhes e relacionada ao tema. Muito boa articulação entre a discussão desenvolvida no texto e a proposta apresentada;

– 160 pontos: Boa elaboração da proposta de intervenção. Boa articulação entre a discussão desenvolvida no texto e a proposta apresentada;

– 120 pontos: Elaboração mediana da proposta de intervenção. Articulação mediana entre a discussão desenvolvida no texto e a proposta apresentada;

– 80 pontos: Proposta de intervenção insuficiente e/ou não articulada com a discussão desenvolvida no texto;

– 40 pontos: Proposta de intervenção vaga, precária e/ou relacionada apenas ao assunto, mas não à discussão promovida ao longo do texto;

– 0 ponto: Não apresentação de proposta de intervenção e/ou apresentação não relacionada ao tema ou à discussão.

 

Como você pôde perceber, a correção da redação do ENEM é bastante criteriosa e é por isso que insistimos tanto numa preparação de qualidade. Só assim você alcançará os melhores conceitos e poderá estampar seu “notão” cheio (a) de orgulho.

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