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Visibilidade indígena em questão no Brasil

   A obra literária Iracema, de José de Alencar, é até hoje um dos mais renomados livros do romantismo indianista. Em seu enredo, aborda a história de amor vivida por uma índia, Iracema, e um colonizador europeu, Martim Soares. Contudo, apesar da narrativa ter como foco os habitantes originais do Brasil, o contexto atual do país está muito distante de ter seus holofotes voltados à esse grupo, haja vista a displicência da população com os direitos indígenas e falta de atenção voltada à delimitação das reservas naturais desses habitantes. Portanto, é necessário analisar o entrave e garantir caminhos para mitigar a questão da invisibilidade dos índios.


   Em um promeiro momento, é preciso pontuar que o olhar negligente voltado aos primeiros povos brasileiros é uma herança histórica. Assim, desde o descobrimento do Novo Mundo pelos europeus, em 1492, os habitantes eram vistos como criaturas inferiores pelos colonizadores, sendo descritos como animalescos e selvagens. Naquele cenário, milhares de indígenas foram escravizados, mortos, forçados a romper com sua cultura e abjurar de suas crenças para serem considerados civilizados pelos portugueses. Entretanto, apesar de terem se passado séculos, o ideal eurocentrista ainda permeia a sociedade, o que é percebido no cotidiano, como na desvalorização dos seus direitos assegurados constitucionalmente e na visão dos índios como indivíduos preguiçosos.


   Em segunda instância, é observada, também, uma grande despreucupação governamental com a questão das reservas indígenas. Isso posto, é relevante pontuar que, no Brasil, segundo o IBGE, mais de 10% do territótio brasileiro está concentrado nas mãos de menos de 0,5% da população, mostrando a existência de uma classe latifundiária no país. Por outro lado, há atuação de uma luta indígena pelo direito à sua terra, que vai de encontro com os interesses de tal classe. Destarte, é possível concluir que luta indígena pelo seu direito territorial é posta em segundo plano pelo governo, visto que, o poder de influência detido e valor monetário gerado por esse grupo social é irrisório se comparado ao poder e à contribuição econômica dos grandes latifundiários.


   Outrossim, é indescutível a existência da problemática e a necessidade de propor meios para superar a questão da invisibilidade indígena vigente, uma vez que, esses povos, apesar de retomados por obras literárias, são tergiversados em quase todas as demais esferas sociopolíticas. Desse modo, cabe à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e ao MEC o desenvolvimento políticas públicas educativas - por meio da distribuição de cartilhas informativas, contendo orientações sobre a importância da defesa dos direitos indígenas, a serem veiculadas em escolas e espaços públicos - com a finalidade de garantir a valorização dos direitos dos índios e sua inclusão sociopolítica na sociedade. Dessa maneira, será possível garantir o respeito e a exaltação dos direitos dos primeiros habitantes do país, aumentando sua visibilidade por parte da população e governo.

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