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Violência nos estádios

 No ano de 1989, um acontecimento marcou negativamente a história do futebol na Inglaterra: durante um conflito entre torcedores nas arquibancadas, 96 pessoas morreram esmagadas contra as grades de proteção. No Brasil, o cenário não é diferente: os estádios nacionais e seus arredores colecionam tragédias, envolvendo milhares de mortos e feridos. Nesse sentido, a violência em um espaço que, em tese, existe para proporcionar lazer reflete não só mazelas históricas da sociedade brasileira, como também uma ineficácia nas políticas de prevenção de confrontos entre torcidas.
 É preciso considerar, primeiramente, que a mentalidade machista que domina grande parte da sociedade é uma das causas desse problema. Ideias como a de que homens devem provar sua masculinidade o tempo inteiro, mesmo que agressivamente, fazem parte dessa mentalidade. Dessa forma, provocações, que são comuns entre torcedores de clubes rivais, são interiorizadas e levadas para o viés pessoal, culminando em xingamentos e brigas. Como consequência, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), aproximadamente 90% dos envolvidos em brigas motivadas por futebol são do sexo masculino.
 Ademais, vale destacar também que a constante necessidade de intervenção de batalhões policiais especializados em brigas generalizadas e ataques a bens públicos demonstram uma grande falha nas políticas de prevenção de confrontos em estádios. É fato que as forças de segurança, teoricamente, agem nas consequências do problema, não na causa. Desse modo, o investimento exacerbado em mobilização militar cria um ciclo da violência, em que torcedores brigam entre si e apanham das forças policiais, sem que uma prevenção efetiva seja feita.
 Atesta-se, portanto, a necessidade de uma ação conjunta entre a Confederação Brasileira de Futebol e as Secretarias de Segurança Pública dos estados brasileiros. Em primeiro lugar, o investimento em ferramentas que permitem e facilitem a identificação de torcedores deve ser ampliado. A exemplo, a nomeação e marcação dos ingressos por meio da coleta de dados no momento da compra, a fim de proibir a entrada de reincidentes em brigas. Dessa forma, as tristes marcas históricas do esporte não voltam a se repetir.

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