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Violência nos estádios

As lutas de gladiadores, no período da Idade Média, realizadas devido ao culto por espetáculos, com a Política do Pão e Circo, já marcavam o início de um quadro que se prolongaria por décadas: a violência presente nos estádios. Nesse sentido, observa-se que essa é a realidade do Brasil, onde a falta de policiamento adequado, somado ao sentimento de impunidade de alguns torcedores, contribuem para que a brutalidade durante os jogos seja recorrente, remetendo à cultura romana e as suas manifestações de violência.


Em primeira análise, é fato que a carência de medidas de segurança eficazes, com policiamento adequado, é uma das causas que ratificam a permanência de casos de agressões físicas nos estádios de futebol brasileiros. Acerca disso, mesmo que o Estatuto do Torcedor, em seu Artigo 13, mostre a necessidade de assegurar a proteção dos torcedores, muitos indivíduos, quando decidem participar de algum jogo, não têm acesso a um ambiente seguro de lazer, seja nas arquibancadas, seja nos locais próximos aos estádios, propícios a embates entre as torcidas antes, durante e após as partidas. Essa situação demonstra um desrespeito a tal ordenamento legislativo, uma vez que o ineficiente amparo policial vigente reflete uma brecha no Artigo e corrobora a persistência desse tipo de violência no âmbito nacional.


Em segunda análise, outro problema que retarda o combate a essa realidade violenta assenta-se no sentimento de impunidade de alguns torcedores. Em face disso, enquanto em vários países europeus, como na Inglaterra, ainda traumatizados com os ‘’Hooligans’’ e suas ações de terror nos estádios, já adotam medidas rígidas de punição a esses agressores, no Brasil os torcedores violentos continuam a participar de partidas e de torcidas organizadas, incitando o ódio contra os rivais. Assim, muitos indivíduos utilizam-se, também, dessas torcidas para continuarem com o crime organizado que, segundo o sociólogo Maurício Murad, torna o ambiente propenso à ação de facções infiltradas, visto que não há punição adequada que os assustem e os impeçam de tal violência.


Diante do exposto, vê-se que o carente policiamento e o sentimento de impunidade impedem o combate efetivo à violência nos estádios. Logo, é dever do Ministério de Segurança Pública criar um projeto eficaz de blitz nos estádios e nos locais próximos a grandes jogos, por meio da contratação de agentes especializados em lidar com torcidas organizadas, os quais teriam treinamento policial adequado – instruídos sobre os comportamentos considerados suspeitos e acerca da necessidade de estarem à paisana nas ruas e nas arquibancadas -, a fim de acentuar a segurança nos estádios. Ademais, é mister a atuação do Governo em punir, de forma contundente, os torcedores violentos, mediante a proibição, por anos, de eles irem às partidas. Com essas medidas, essa realidade violenta será somente parte da Idade Média.

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