O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Violência no Parto

Tema: Violência obstétrica no Brasil


                                                                                                         DOR ALÉM DO PARTO


Iracema, personagem do romance indianista de José de Alencar, dá ao seu filho o nome de Moacir, filho do sofrimento. De forma semelhante, no Brasil atual, muitas mulheres continuam sofrendo no parto, uma vez que se escancara no país, mediante fatores socioculturais e técnicos, uma mascarada violência obstétrica, submetendo as gestantes à humilhações, procedimentos médicos desnecessários e, não raro, desumanos nas salas de cirurgia.


Em primeira análise, convém ressaltar que a indução ao parto, proveniente de um processo de “mercantilização” da saúde, protagoniza um dos estilos de violência nos hospitais. Nesse contexto, o sociólogo Max Weber desenvolveu o conceito de “Desencantamento de Mundo”, segundo o qual as relações humanas deixaram de ser atreladas às emoções ao passarem por uma “racionalização”, tornando-as burocráticas e normatizadas. Analogamente, na prática, uma parcela de agentes da saúde manifesta a racionalização definida por Weber no que tange à “desumanização da medicina”, fenômeno em que os pacientes são vistos como números e dinheiro ao invés de pessoas na fila da maternidade. Nesse sentido, vê-se que induzir um parto, geralmente cesarianas, provém do interesse dos médicos em prol da agilidade do procedimento, mesmo agredindo mais o corpo feminino.


Outrossim, a carência de diálogo sobre a temática nos acompanhamentos pré-natais, muitas vezes precários, corroboram para a violência no atendimento, seja esta física ou psicológica. Desse modo, consoante a pesquisa da Fundação Perseu Abramo, de 2010, uma em cada quatro mulheres já sofreu algum tipo de violência no parto, demonstrando como o impasse se faz persistente e pouco debatido no cenário brasileiro. Como resultado, a falta de cuidados da equipe cirúrgica, bem como a negligência dos profissionais quanto à preferência das mães podem desencadear profundos traumas psicológicos às parturientes, tais quais consequências físicas, experiências traumáticas e, até mesmo, prejuízos ao bebê.


Portanto, observa-se que a violência obstétrica escancara uma preocupante realidade dos hospitais brasileiros, sendo prejudicial ao corpo social como um todo. A priori, o Ministério da Saúde deve veicular mais informações sobre o pré-natal, bem como divulgar outras possibilidades de processos de parto por meio de cartazes nas unidades básicas de saúde do país, a fim de conscientizar as mulheres acerca de seus direitos da maternidade. Dessa forma, é preciso que, nas faculdades da área da saúde, a grade curricular seja devidamente modificada e rigorosa ao portar disciplinas que formem profissionais humanizados em sua carreira, de modo a garantir uma condição digna às gestantes nas filas de cirurgia. Assim, em contrapartida de Weber, poderá se construir uma geração mais consciente e encantada com o mundo.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!