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Violência no Parto

A ciência, com o advento da tecnologia, afetou todos os campos, em especial, o da saúde. A partir do desenvolvimento nas pesquisas médicas foi possível elevar as condições de vida e proporcionar uma maior segurança para a população. Contudo, embora exista uma evidente evolução, essa parece estar cada vez mais distante no que diz respeito à obstetrícia. Nesse contexto, na atual conjuntura brasileira, é crescente o número de relatos que envolvem agressões nessa área. Nesse viés, o combate à violência obstétrica é imprescindível e deve partir do ataque às suas causas: objetificação da mulher e a falta de empatia dos profissionais de saúde.


É importante considerar, antes de tudo, que a violência sofrida no parto está ligada à objetificação da gestante. Nesse contexto, a mulher perde a condição de sujeito e é reduzida a um corpo, que é passível de intervenção médica, em que o parto se torna um ofício médico e a paciente é tida como um meio para chegar a um fim, o nascimento. Prova disso é o abuso da medicalização e da patologização de processos naturais, como, por exemplo, a aplicação de ocitocina sem uma indicação específica, que acelera o nascimento do bebê e aumenta as dores da mãe, o que potencializa a perda do protagonismo da mulher, visto que o parto natural é suprimido por intervenções e procedimentos médicos que são priorizados e realizados sem necessidade. Dessa forma, a agressão é mascarada como forma de cuidado, já que é cometida por profissionais da saúde, o que fortalece todo o impasse sofrido.


Convém analisar, também, que a falta de empatia de profissionais é outro fator primordial que reflete nos índices de agressão. Nesse viés, devido à falta de humanização nos hospitais escolas ou à rotina pesada, profissionais da saúde, com o tempo, deixam de levar em consideração as individualidades dos pacientes, e passam a fazer seu trabalho de forma mecânica e sem empatia, cometendo, não raras vezes, até abuso de poder. Dessa forma, os maus tratos ocorrem desde a forma verbal até física, aquela com o uso de frases discriminatórias e piadas de cunho sexual e esta com a execução de exames de toque sem indicação, prática da episiotomia, quando não indicada, e até a cirurgia cesariana, se feita sem necessidade e por interesse pessoal do médico, pode ser considerada uma violência física. Desse modo, uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto, de acordo com pesquisa da Fundação Perseu Abramo e SESC.


Fica clara, portanto, a obrigação de ir de encontro às causas que potencializam a violência obstétrica no país. Nesse sentido, é primordial uma parceria entre o Ministério da Saúde e a mídia, em que devem promover, por meio de políticas públicas, campanhas midiáticas que informem e discutam sobre os direitos das gestantes na hora do parto, como se manifesta a violência obstétrica e quais são os seus possíveis efeitos, para que assim, as mulheres estejam mais cientes e confiantes para denunciar tais atos e que os seus infratores obtenham suas devidas sanções, a fim de reduzir o número de agressões na sociedade. Além disso, esses órgãos devem promover, também, campanhas midiáticas em hospitais e em universidades de medicina, por meio de palestras e debates que deem enfoque à individualidade do paciente e à importância de respeitar os direitos desse, deixando claro que é essencial um atendimento baseado na solidariedade e na empatia com o próximo, com o objetivo de formar profissionais da saúde humanizados e incapazes de cometerem abusos de poder. Só assim, combatendo as causas, será possível amenizar o impasse sofrido.

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