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Violência no Parto

Executar procedimentos desnecessários e que ponham em risco a saúde e bem estar da parturiente, negar informações ou prescrição de remédios para a dor, ofensas verbais: tudo isso caracteriza a violência obstétrica, fenômeno que acontece em 25% dos partos normais, segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo. Apesar do alto índice, a maioria dos casos não é denunciada.
Tal fato explica-se sobretudo pela existência de um certo tabu envolvendo o parto0000 a crença geral é de que o sofrimento é inerente ao momento e os abusos de profissionais despreparados são naturais, desencorajando a busca de justiça. Ademais, as gestantes em pré-natal frequentemente não são informadas com clareza sobre seus direitos, como o de ter autonomia para decidir o procedimento mais confortável ou levar um acompanhante para a sala de parto.
Assim, após o ocorrido, o trauma muitas vezes faz com que a mulher desista de ter outros filhos ou procure diferentes alternativas. O número de cesarianas no Brasil atingiu 57%, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. A proporção é preocupante, pois muitas ocorrem sem justificativa médica, atendendo ao desejo materno de se livrar do momento do parto.
Com a fragilidade física e psicológica deixada pela violência obstétrica, a tomada de providências fica mais dificultosa. Também pesa a falta de uma repartição pública que reconhecidamente centralize esse tipo de denúncia, e a burocracia e ineficiência dos órgãos competentes impedem que essas denúncias sejam levadas adiante.
Portanto, cabe ao governo, através do Ministério da Saúde, intervir junto ao funcionamento do pré-natal da rede pública, tornando-o mais informativo e promovendo o diálogo entre a gestante e o profissional. Esse objetivo também pode ser alcançado valendo-se de campanhas midiáticas educativas que desmistifiquem o senso comum sobre o parto. Além disso, deverá haver reforço no cumprimento das leis e punições cabíveis aos infratores, e investimento nas Delegacias da Mulher, equipando-as para o melhor atendimento das vítimas. Dessa forma, o combate à violência obstétrica será mais eficaz.
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