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UNESP
No projeto israelense Yolocaust, Shahak Shapina cria montagens combinando selfies, tiradas impropriamente, no Memorial do Holocausto, com imagens trágicas dos campos de concentração nazistas. Dessa forma incita a reflexão da insensibilidade existente nessas fotografias, considerando o ambiente triste no qual foram tiradas. Yolocaust é a prova de que fotos catastróficas podem despertar a compaixão pelo semelhante, desde que usadas corretamente.

Caso seja bem explorada, o conteúdo trágico de uma foto, é uma potente arma contra contextos de guerra e violência. Cândido Portinari, artista brasileiro do século xx, representou a miséria do nordeste na sua obra "Os retirantes", assim como Pablo Picasso explorou os horrores da guerra civil espanhola em seu famoso quadro "Guernica". Do mesmo modo, as fotografias que já são consideradas uma forma de arte, podem promover o mesmo tom engajado encontrado em obras tão famosas como essas citadas. É o caso, por exemplo, encontrado na foto premiada de Nick Ut , em 1972, que retrata uma menina nua e assustada, vítima da bomba de Hiroshima no Vietnã, e também da repercutida foto da criança, Aylan Kurd, encontrada morta em uma praia da Turquia.

Porém, a má utilização de fotos funestas e calamitosas geram um efeito contrário, pois banalizam o sofrimento alheio e contribuem apenas para disseminar a violência. É o caso de programas televisivos sensacionalistas que se especializam em assuntos trágicos, o qual exploram imagens fortes com o objetivo somente de elevar a audiência. Logo, o indivíduo tende a ver essas reportagens com naturalidade, pois como afirmou Emile Durkheim: "a sociedade molda o indivíduo". Portanto as instituições sociais, como a mídia, exercem forte poder sobre o senso-comum que, mal direcionado, contribui para uma visão trivial dessas imagens.

Sendo assim, fica claro que as imagens trágicas apresentam um alto potencial de sensibilização, porém necessitam de um cuidadoso direcionamento e manuseio. Dessa forma, é necessário que os estados nacionais invistam em leis que regularizem o uso de fotos trágicas e, em conjunto com a mídia, desenvolvem programas televisivos que orientem a visão humana da sociedade em relação à essas imagens. Consequentemente, multiplicarão exemplos como Yolocaust, que certamente farão do mundo um lugar mais feliz e humano.
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