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Uberização do trabalho e precarização profissional

“Você não está aqui”, um filme lançado em 2020, conta a história de Ricky, que realiza entregas com sua van, e as implicações da informalidade nas suas relações familiares. Não distante das telas, nos dias atuais, no Brasil, os índices de exploração da mão de obra através das empresas de aplicativos e das plataformas digitais são alarmantes. Em razão disso, estão o aumento do número de desempregados e a estrutura capitalista presente.  Em consequência disso, vê-se, a todo instante, acidentes de trânsito, trabalho em excesso e aumento de doenças físicas e psicológicas.


Em primeiro lugar, é notável que as mudanças globais, geradas pela pandemia do Covid, aceleraram os processos de desligamento de funcionários das empresas. Segundo o economista Ladislau Dowbor, “a subutilização da força de trabalho é o principal problema do país”. Sob esse viés, é fato que existem muitas atividades a serem feitas no Brasil, no entanto, há uma massa volumosa de cidadões sem emprego. Diante disso, os desempregados buscam uma alternativa de renda frente às incertezas de mercado e à ausência de seguros protecionistas do Governo Federal. Assim, os trabalhos oriundos dos aplicativos de entrega, tais como iFoof e Rappi, são uma opção de sobrevivência. Contudo, salários baixos e ausência de vínculos empregatícios tornam esse caminho doloroso e instável. Dessa forma, é importante uma discussão profunda sobre a divisão do trabalho remunerado e suas implicações sociais.


Em segundo lugar, é notável que a ambição desmedida do ser humano e das empresas impacta, profundamente, nos vínculos laborativos. Parafraseando o conceito de ‘Mais-Valia”, elaborado pelo sociólogo Karl Marx, o trabalhador recebe um valor inferior ao que foi produzido pelo trabalho e vendido pelas firmas, gerando o lucro do sistema capitalista.  Nessa perspectiva, o modelo de nanoempreendedores dos aplicativos de entregas corrobora para a maximização dos rendimentos dos proprietários dessas tecnologias digitais. Esse ato é evidenciado pela ausência de benefícios e de seguro de vida para os entregadores.Desse modo, urge uma revisão legislativa das relações trabalhistas no novo cenário tecnológico.


Evidencia-se, portanto, que a uberização do trabalho constitui desafios a superar. Assim, cabe ao Ministério da Justiça, por meio de leis e de investimentos, com um planejamento adequado, estabelecer os direitos mínimos aos entregadores e aos motoristas de aplicativos, com o fito de assegurar a dignidade da pessoa humana. Além disso, é de suma importância que as instituições de ensino promovam, para pais e alunos, discussões sobre as novas formas de trabalho e seus impactos sociais. Dessa maneira, a vida social será mais harmoniosa.

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