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Turismo e seus impactos socioambientais

         A Revolução Técnico-Científica-Informacional, ocorrida no século XX, intensificou a globalização e a maior interação entre culturas. Nesse contexto, o turismo foi um dos setores mais privilegiados por tal processo, e os resultados do crescimento dessa indústria podem ser vistos até hoje. Se, por um lado, regiões que dependem do desenvolvimento turístico foram positivamente impactadas, por outro, culturas locais sofrem com o beneficiamento da economia em detrimento da preservação dos povos originários e meio ambiente.


      A princípio, é fato que os lucros decorrentes do setor hoteleiro e turístico podem impulsionar significativamente a economia local, a exemplo de Cuba, país afetado por um embargo econômico que só não foi desastroso por conta da abertura para o turismo. Nesse viés, evidencia-se a definição do mundo como uma "aldeia global", segundo o filósofo Herbert Marshall McLuhan, no sentido de que o maior contato com diferentes locais impulsiona o sentimento de comunidade nos indivíduos. Dessa forma, a criação de parques ecológicos e áreas de reserva ambiental exemplificam tal ideia, já que, além da contribuição financeira, tais zonas promovem a conscientização de turistas sobre a necessidade de cuidado com o meio ambiente.


         Por outro lado, os povos nativos, responsáveis pela preservação de muitas regiões turísticas, nem sempre recebem os mesmos resultados positivos direcionados às grandes empresas. Sob tal ótica, evidencia-se um beneficiamento dos lucros em detrimento da cultura e saúde, a exemplo do processo de expulsão de indígenas pataxós para a construção de hotéis na Bahia, ou o aumento dos casos de Covid-19 entre moradores da Chapada dos Veadeiros após a abertura para visitantes, como foi relatado por prefeituras locais. Paralelamente, o livro "The Disaster Tourist - O Turista do Desastre" demonstra tal processo por meio de uma rede hoteleira fictícia que promove desmatamento e problemas ambientais para impulsionar o turismo. Fora da ficção, tal empresa simboliza o sistema capitalista, na medida em que o mesmo impacta negativamente a natureza e impede que as comunidades originárias sejam devidamente recompensadas.


          Torna-se evidente, portanto, as diferentes consequências socioambientais do crescimento do turismo no século XXI. Nesse sentido, o Ministério do Turismo deve, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, financiar mais projetos de proteção ambiental da FUNAI - Fundação Nacional do Índio, a partir de investimentos financeiros. Objetiva-se, então, amenizar os impactos do desenvolvimento desenfreado do turismo sobre comunidades e áreas vulneráveis. Somente assim, a história fictícia de "O Turista do Desastre" se afastará da realidade atual.
 

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