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A locomotiva de Marx
De acordo com o proferido por Oscar Wilde, escritor britânico do século XIX, " O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação". Dessarte, é preciso, pois, sair da inércia e engendrar - de maneira consciente - medidas cuja asserção seja combater o famoso jeitinho brasileiro. Em vista disso, é de suma importância uma análise mais abrangente das circunstâncias, tendo em vista, mormente, atenuar seus impactos.
Em primeiro lugar, é precípuo ressaltar que essa chaga vem se propagando desde tempos remotos. Nessa perspectiva, sob uma lógica empirista e, também, racionalista, o jeitinho brasileiro se insere, sem sombra de dúvida, na "lei de Gerson", "O ideal é sempre levar vantagem". À vista disso, mesmo longe, sobretudo, da metade do século XX, a visão do atleta se faz pertinente na atualidade, haja vista que burlar as leis sociais que regem a sociedade se tornou, nesse caso, sinônimo de esperteza. No entanto, essa não é uma característica apenas da sociedade contemporânea, vide que em algumas obras brasileiras foi destacada essa malandragem do povo tupiniquim, como, por exemplo, em Macunaíma, "o herói sem caráter", de Mário de Andrade, e Memórias de um Sargento de Milícia, de Manuel Antônio de Almeida, na qual o personagem Leonardo não apresenta uma aptidão em seguir as regras sociais, tendo influência, essas obras, para uma imagem pejorativa de malandro que acompanha o povo brasileiro. O problema, porém, não se resume a essa situação.
Outrossim, é imperioso considerar as incongruências nas atitudes de muitos cidadãos. Sim, estamos no contra-fluxo das nossas aspirações. Isso fica claro, por exemplo, quando um cidadão julga veementemente um político por ele ser corrupto, todavia, comete suborno ao guarda de trânsito. Portanto, é nessas pequenas atitudes que transforma-se uma população, haja vista que cada experiência deixa uma marca na mente humana e, por meio da interpretação dessas experiências, forma-se o caráter do indivíduo. De maneira análoga, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social, por ser a maneira coletiva de pensar e agir, exerce uma pressão coercitiva sobre o indivíduo. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que o jeitinho brasileiro se encaixa na teoria de Durkheim, vide que se um cidadão faz parte de uma agremiação com esse comportamento, tende a adotá-lo por conta da vivência em grupo. Logo, nessa conjuntura, a discussão sobre políticas que busquem conter esse revés torna-se imprescindível e inadiável.
Fica evidente, portanto, que é preciso agir de maneira perspicaz e diligente, buscando medidas eficientes para o problema. Primeiramente, cabe à escola e às ONGs, juntas, difundirem, por meio de palestras, campanhas e até projetos, o conhecimento, tendo em vista maximar a formação ética e moral dessas cidadãos, condicionando, com isso, uma população que não busque levar vantagem em tudo. Ademais, compete à mídia e ao governo, em parceria, transmitirem, por intermédio de novelas, filmes e propagandas publicitárias, os temas que serão pauta do debate, visando, com isso, levar à sociedade uma gama de informações acerca da situação e, consequentemente, incentivar a população a adotar posturas mais éticas e mais altruístas. Destarte, o primeiro passo será dado e, assim, esse obstáculo poderá ser combatido, jamais admitindo a naturalidade dessa adversidade, pois, como disse Karl Marx: " As inquietudes são a locomotiva da nação".
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