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Tema: O jeitinho brasileiro em discussão no século XXI

Segundo o sociólogo Zygmund Bauman, comportamentos e padrões antes sólidos estão se liquefazendo. Todavia, no que tange a corrupção individual o cidadão brasileiro parece ter parado no tempo, reiterando-se constantemente a sua face de Macunaíma, o heroi sem caráter, exercendo com seletividade o que deveria ser uma indignação contínua, mediante quaisquer tipos de delitos. Desse modo, se faz preciso compreender quais sãos os efeitos colaterais a que se submete uma sociedade que anseia viver pela prática do jeitinho.
Em primeiro plano, é válido compreender que o desejo de lavar vantagens já se tornou inerente ao povo tupiniquim. O sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil, caracteriza o indivíduo brasileiro como Homem Cordial, que consiste no fato de basear suas atitudes segundo as emoções lançando a racionalidade em segundo plano. Sendo assim, apodera-se desses cidadãos um sentimento tão grandioso de favorecer-se que em muitos casos a lei, que é um padrão comum a todos, torna-se aquém de suas ações moldando-os como incoerentes despercebidos. Avaliando esse panorama segundo os Fatos Sociais do sociólogo Durkhein, que são comportamentos gerais, coercitivos e exteriores, nos deparamos com a instalação de um ciclo vicioso, haja vista, a população em massa -o geral- compartilhar do comportamento corrupto.
Dessa maneira, o que está intrínseco a um indivíduo, o acompanhará em qualquer lugar que esteja. Seguindo essa lógica, se faz notório que o atual cenário político do país é um reflexo de sua base, ou seja, uma pessoa que comete pequenos delitos, como não declarar imposto de renda, cometerá em maior escala quando tiver oportunidade, como desvio de verbas. Segundo Bill Clinton a corrupção no Brasil é endêmica, mas não se trata de uma endemia típica, pois poucos se enxergam contaminados e persistem em apontar dedos e revelar faces iradas mediante os grandes escândalos políticos noticiados pela mídia, tornando-os pseudomoralistas reféns de suas cópias em cargos de alto escalão.
Fica claro, portanto, que consequências drásticas se estabelecem em um país movido pela cordialidade. Tornando-se necessário buscar medidas para reverter esse quadro. A começar pela mídia, atuando por meio de telenovelas que retratem esses casos de corrupção mostrando como começam e onde terminam, visando despertar os cidadãos a racionalidade que tem se ausentado. Seguidos das escolas, que devem trabalhar na desconstrução de Macunaíma levando esses futuros cidadãos a compreender, por meio de debates e roda de conversas, o caos que a cultura de vantagens pode acarretar. Por último, cabe ao governo ser vigente em suas leis, evidenciando as punições para os grandes atos de corrupção, para que não se permeie a sensação de impunidade. Talvez assim, se consiga finalmente liquefazer Macunaíma.
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