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A carta que ninguém leu, a mobilidade que ninguém vê
A carta de Atenas redigida no século XIX por renomados urbanistas e arquitetos, tinha como objetivo resolver alguns problemas da estrutura urbana, e tinha como base quatro grandes pilares; Habitar, Trabalhar, Recrear e Circular, sendo que este deve interligar os outros três e diz respeito ao deslocamento do homem no contexto da Cidade.
Além de um mal planejamento existem outros fatores que corroboram para a situação atual. Com o início do processo de industrialização liderado por Getúlio Vargas, O Brasil viu sua população predominantemente rural, dar início ao chamado êxodo rural, onde milhares de pessoas deslocaram-se principalmente para a região sudeste, em busca de trabalho e melhores condições de vida, causando um verdadeiro inchaço urbano, próximo a este período o País conheceu também, a política rodoviárista.
No governo JK, consagrado pela frase " governar é abrir estradas" tendo como intuito o crescimento econômico nacional e articulação das diferentes regiões, ocorreram construções e ampliações de rodovias, o modelo rodoviárista foi usado para promover a instalação de empresas automobilísticas no território nacional e assim o carro se tornava um bem de consumo mais próximo da realidade brasileira. A herança deste modelo é sentida até hoje, segundo o Observatório das Metrópoles entre 2002 e 2012, a população brasileira aumentou 12,2%, e o número de veículos 138,6%, isso é explicado pelo crescimento da renda familiar e a diminuição do preço dos automóveis, além da fuga das pessoas do transporte, que nunca foi prioridade por parte do governo: o público. Porém, se de um lado o brasileiro tem mais condições de adquirir um veículo, do outro sofre com os congestionamentos, gerados pela quantidade de veículos nas ruas, continua a sofrer com o precário e ineficiente transporte de massas, além de tarifas que estão muito aquém dos serviços prestados.
A valorização do transporte individual em detrimento ao coletivo, ponto chave nos problemas de mobilidade urbana, tem efeito também na saúde dos brasileiros; o alto nível de veículos aumenta a poluição do ar, através da liberação do dióxido de carbono (CO2) e também de outros gases nocivos a saúde humana. Assim problemas de mobilidade urbana vão além do deslocamento diário, envolvem questões de respeito ao conforto e a saúde física e psicológica das pessoas.
Em virtude dos fatos mencionados, e considerando os pensamentos de Confúcio, se as falhas não são corrigidas, novos erros são cometidos, e para corrigir as da mobilidade urbana, os Ministérios do Transporte, das Cidades e o Governo do Estado, devem investir em transporte coletivo de qualidade e baixo custo, ampliar corredores de ônibus e ciclovias, criar pedágio urbano, investir no transporte ferroviário, e com o Ministério da Cultura e a mídia, criar ações para incentivar o uso do transporte coletivo e meios de locomoção sustentável como a bicicleta, com propagandas, campanhas nas ruas, escolas etc, e assim, tornar real a mobilidade urbana.
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