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Em 1986, foi realizada a oitava Conferência Nacional de Saúde, cujas diretrizes ampliavam o conceito de saúde pública no Brasil e propunham mudanças baseadas no seu direito universal e em melhores condições de vida. Entretanto, a atual situação do Sistema Único de Saúde – conhecido por suas longas filas de atendimento e alvo de constantes reclamações -, é motivo para questionar a eficácia da iniciativa de 1986. Nesse sentido, cabe analisar como a ‘’cordialidade’’ da esfera pública e a desintegração dos sistemas de dados de saúde corroboram a problemática em questão.


Em primeira análise, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda desenvolveu, em 1936, o conceito da cordialidade, que diz respeito à inabilidade de se valorizar o interesse coletivo. Ocorre que é impossível garantir uma melhoria efetiva na saúde pública enquanto as autoridades governamentais mantiverem uma postura cordial ante os problemas que aquela apresenta. Tal postura é refletida estatisticamente quando se nota o percentual de financiamento ‘’per capta’’ da saúde no Brasil – em média, cerca de três vezes menos do que no Uruguai e na Argentina. Como consequência disso, tem-se o sucateamento de hospitais e subsequentes prejuízos que, para além da questão da saúde, danificam também a dignidade dos cidadãos.


De outra parte, é cabível pontuar os reflexos da carência de integração dos sistemas de dados relacionados à saúde na manutenção do problema. Isso porque, graças à fragmentação desses dados, torna-se necessária a repetição de exames, ainda que estes já tenham sido feitos por outro profissional. Seria negligente não notar, pois, que essa dinâmica isolacionista contribui para a lentidão do atendimento, característica que, após determinado prazo, pode afetar significativamente a condição de vida do paciente.


Dessarte, é imprescindível a conjugação da díade sociedade e governo à melhoria da saúde pública no Brasil. O primeiro deve, na figura dos cidadãos, fiscalizar constantemente a postura da esfera governamental diante da questão da saúde, com o fito de problematizar, com veemência, – por meio de protestos em locais públicos ou manifestações em redes sociais – qualquer atitude negligente por parte daquela. Ademais, é dever do segundo, na forma do Ministério da Saúde, elaborar, por meio de verbas governamentais, um dispositivo virtual que reúna todos os dados coletados atinentes à saúde dos pacientes que disponibilize, em um único veículo, seu acesso aos profissionais e instituições, com o objetivo de reduzir os empecilhos decorrente de sua desintegração. Dessa forma, tornar-se-á possível o sistema público de saúde que vislumbrava a Conferência de 1986.

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