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No livro "Quarto de despejo: diário de uma favelada", Carolina Maria de Jesus retrata a vida árdua das pessoas que viviam nas favelas de São Paulo na década de 50, as quais frequentemente buscavam, por meio do uso de drogas, confortar suas vidas. De acordo com a autora, comumente se ouviam boatos de jovens e até crianças que, por meio de amigos ou de seus próprios pais, ingressavam no mundo dos entorpecentes. Hodiernamente, da mesma forma, a realidade não se distancia da retratada pela autora, pois o número de usuários de drogas cresce diariamente, ocasionando exclusão social e danos - físicos e sociais - a quem as utiliza.


Em primeira análise, cabe destacar que muitos dos usuários de drogas que se envolvem com o tráfico são presos e, por conseguinte, tornam-se vítimas do sistema de reintegração à sociedade pouco efetivo. Isto é, de acordo Raul Jungmann, ministro de Segurança Pública, cerca de 85% dos presos não trabalham ou estudam pois não há investimentos suficientes que lhes garantam oportunidades de estudar ou de trabalhar. Dessa forma, quando forem libertos, terão problemas para se reinserirem na sociedade e poderão optar por se envolverem com atividades ilegais novamente.


Além disso, é notório que, conforme há crescimento no número de usuários de drogas, o número de acidentes de trânsito, crimes domésticos e problemas respiratórios ou cardiovasculares também tende a crescer. Nesse sentido, o sociólogo Norbert Elias, em seus excertos acerca das teias de interdependência, explica que a partir do momento em que há ligações entre acontecimentos, tal configuração será internalizada em uma cadeia ainda maior de pessoas. Assim, caso o crescimento do uso de drogas não seja interrompido, mais complexa se tornará a cadeia e mais indivíduos serão afetados.


Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para que a questão das drogas no Brasil seja revertida. Para que a reincidência ao tráfico diminua, urge que o Governo Federal crie, com apoio do MEC, um programa de ressocialização, que, além de levar ex-detentos para o ambiente escolar, dê a eles oportunidades de estágios como auxiliares em escolas públicas. Ademais, é mister que o Ministério da Saúde, junto a empresas do ramo midiático, crie campanhas, em redes sociais, que demonstrem à população mais jovem os problemas ligados ao uso de drogas, alertando-as desde cedo a não seguirem por esse caminho. Somente assim, será possível que futuros autores, ao retratarem a vida cotidiana brasileira, possam se orgulhar de falar em seus livros acerca do Brasil que venceu a luta contra as drogas.

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