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Tema: O desafio do combate ao suicídio no Brasil


"‘Se eu morresse amanhã, viria ao menos; Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria; Se eu morresse amanhã!"’. Esse trecho do poema de Álvares de Azevedo demonstra o estilo de vida de muitos poetas na fase ultrarromântica, os quais tinham a concepção da morte como escape para os problemas pessoais. Dessa maneira, essa questão, em meio a esse cenário assustador, atualmente, no Brasil, se configura o mais cruel problema a ser enfrentado: o combate ao suicídio. Dessa forma, esse impasse denuncia uma sociedade desprovida de empatia somada ao suicídio romantizado pelos meios de comunicação que corroboram para os crescentes casos dessa problemática.


Em primeiro plano, vale ressaltar que atualmente os laços afetivos entre os indivíduos estão ficando progressivamente mais frouxos. Isso se deve pelo fato de que a ausência do diálogo não permite a construção de empatia e sentimento comum compartilhado entre as pessoas potencializando, assim, o individualismo. Nesse contexto, Durkheim analisa que quanto maior o grau de compartilhamento de valores entre os membros de um grupo, maior o grau de solidariedade entre esses. Mas será que a sociedade anda preocupada com a importância da coletividade? O que se percebe, no contexto contemporâneo, é o oposto, uma vez que esse comportamento é deturpado e perde espaço para o egoísmo, o qual, lamentavelmente, é cada vez mais comum e assustador, o que corrobora para as altas taxas de suicídio.


Além disso, vê-se que na literatura há reprodução do contexto social e cultural de uma época, o que comprova a ideia de que a vida é uma mímeses da arte. Nesse sentido, muitas obras reproduzem concepções equivocadas e estigmas que foram alimentando o imaginário coletivo, como no livro "Os sofrimentos do Jovem Werther". Nele, o autor alemão Goethe, relata a história de um jovem, o qual se suicidou após descobrir que sua amada estava comprometida a outro homem, o que deu origem ao conhecido "Fenômeno Goethiano", ou seja, o suicídio por imitação. Desse modo, não só através literatura, mas também pelos meios de comunicação atuais, como internet e televisão, o suicídio é, constantemente, midiatizado, o que se configura um perverso problema. Logo, é imprescindível que não se romantize ou justifique a autodestruição como forma de heroísmo ou vingança.


Infere-se, pois, que o suicídio é um problema de saúde pública e precisa ser combatido. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pela proteção e recuperação da saúde, implementar projetos de valorização da vida, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitarias e propagandas, que são veículos de grande alcance nacional, incentivando à população a identificar pessoas ao seu redor, as quais precisam de auxilio, e não limite o combate ao suicídio apenas ao mês de setembro, mas sim, durante o ano inteiro, a fim de que o tema sobre seja discutido e trazido à tona e, por conseguinte, combatido. Assim, uma sociedade mais informada, tornar-se-á protagonista na mitigação desse impasse fazendo com que o efeito-Werther junto aos comportamentos dos poetas românticos se restrinja aquela época.


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