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Tema: Desastres Ambientais: qual o preço do desenvolvimento?



Na série estadunidense "Chernobyl", a trama gira em torno do pior acidente nuclear da história. Ocorrida no norte da Ucrânia em 1986, a explosão do núcleo reator foi responsável pela morte de 25 mil pessoas. Mesmo sendo uma ficção, a produção mostra o descaso de governantes da URSS, os quais escondiam o que realmente tinha acontecido e expõe um fato assolador sobre os impactos dos erros humanos sobre a natureza: mais de 30 anos após o acontecimento, cientistas estimam que a área ao redor da usina continuará inabitável por pelo menos mais 20 mil anos. Além disso, as vítimas e seus familiares não receberam justiça em relação às mortes e doenças como o câncer. Sob tal ótica, esse cenário mostra como os conceitos de progresso humano aliado à preservação do bem natural e de justiça social vêm sendo constantemente violados há muito tempo.


Em primeiro lugar, é preciso destacar a importância de discussões acerca da destruição causada pelo fato de a natureza ser vista como um bem privado destinado somente ao lucro. No mercantilismo, primeira fase do capitalismo, o lucro e a produção eram definidos pela natureza, ou seja, só era produzido o quanto o meio natural "permitia". Porém, com o surgimento da primeira indústria em 1789, os donos de grandes negócios passaram a determinar o quanto ganhariam e a usar indiscriminadamente os recursos orgânicos a fim de obter mais e mais dinheiro. Assim, o consumo, o faturamento e a destruição do meio natural foram aumentando de forma proporcional e, enquanto não houverem reais debates sobre os verdadeiros efeitos da devastação natural dentro desse contexto, a sociedade continuará a observar as "revoltas naturais" como tempestades impetuosas acontecendo sem entender propriamente o porquê, cenário carecente de mudanças urgentes.


Além disso, outro fator destacável é a falta de punição aos responsáveis por "acidentes" criminosos. Após o deslizamento da barragem de Mariana em 2015, muitos foram os debates levantados sobre como os executivos da Samarco deveriam ser reprimidos, mas nada de fato aconteceu. Tanto que, cerca de três anos depois, outro rompimento aconteceu em uma barragem de Brumadinho, causando três vezes mais mortes em relação ao primeiro acidente. Mais uma vez, nenhum diretor da Vale foi punido da maneira certa. É preciso salientar que o Brasil não é o país da imunidade como muitos pensam pois tem a terceira maior população carcerária do mundo, porém essas prisões raramente afetam os mais ricos e donos de empresa como a Vale e, dessa forma, enquanto não sofrerem reais penas sobre seus atos, eles continuarão a condenar o meio ambiente e a vida de inocentes, fato comprovador de um problema que precisa ser imediatamente resolvido.


Fica evidente, portanto, que a natureza não está sendo valorizada durante o desenvolvimento industrial e tecnológico e que são necessárias medidas efetivas que evidenciem isso para a sociedade. Dessa forma, a mídia, principal veículo formador de opiniões, deverá ser responsável por criar e promover propagandas e comerciais que, ao serem transmitidos em larga escala na Internet e na televisão, mostrarão o quanto os espaços ambientais são destruídos naquele intervalo de tempo, incentivando os telespectadores a se tornarem um agente efetivo na luta contra esse mal. Ademais, órgãos governamentais como o Ministério do Ambiente deverão criar novas regras de exploração para fiscalizar e punir efetivamente empresas que não as cumprirem. Assim, os indivíduos verão o direito à vida e à justiça sendo realmente valorizados e formarão uma sociedade que respeita os limites da natureza enquanto a preserva para as futuras gerações, cenário completamente diferente do visto após acidentes naturais históricos como o de Chernobyl.

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