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O sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua teoria "habitus", defende que o homem incorpora as estruturas sociais impostas a sua realidade, em seguida, naturaliza tais padrões e, por fim, os tornam hábitos por muitos anos. No Brasil, as crianças incorporaram o péssimo hábito de se alimentar mal e se exercitar pouco, configurando assim a receita perfeita para a obesidade infantil. Nesse viés, analisar as circunstâncias que permeiam os desafios e consequências de seu combate é fundamental, posto que, segundo o Ministério da saúde, uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos de idade está com excesso de peso.


Em primeiro plano, é pertinente destacar a negligência familiar como principal potencializadora do problema. Isso acontece porque, na busca por praticidade, a maioria dos adultos optam por alimentos industrializados ricos em açúcares e gorduras - a exemplo de macarrão instantâneo, congelados e refrigerantes - em detrimento de opções mais frescas e saudáveis. Somado a isso, o lazer dos pequenos se tornou sedentário, uma vez que é muito mais prático entreter os filhos com eletrônicos do que encontrar tempo para brincar ao ar livre. Assim, a saúde das crianças é comprometida como um todo pois várias doenças estão associadas à obesidade, como hipertensão, apneia, diabetes, doenças cardiovasculares e pulmonares e problemas ortopédicos.


Ademais, a indústria do marketing possui um papel crucial nessa adversidade. Apesar de o Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária estabelecer a abstenção de qualquer estímulo de compra ou consumo de alimentos industrializados para crianças, artifícios publicitários são utilizados para dar uma alegação falsa de nutrição. Frases como "rico em fibras" e "néctar da fruta" são colocadas em destaque, o que faz com que o alimento pareça ser mais saudável do que realmente é. Dessa forma, é evidente que enquanto tal publicidade assediadora se mantiver, a obesidade infantil continuará sendo um problema no país.


Impende, pois, a necessidade de superar os desafios no combate à obesidade infantil, bem como suas consequências. Para tanto, é necessário que as escolas promovam feiras de saúde mensais destinadas aos pais e alunos por intermédio da colaboração de especialistas - nutricionistas, psicólogos, profissionais da educação física - de modo a ensinar aos pequenos, desde cedo, a importância de uma alimentação saudável e da prática regular de atividade física. O Governo Federal, por sua vez, deve desencorajar o consumo de alimentos industrializados por meio da aplicação de multas para propagandas assediadoras e amortização de impostos para alimentos orgânicos. Só assim, incorporando novas práticas e tornando-as hábitos, a obesidade infantil será combatida.

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