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TEMA: EDUCAÇÃO SEXUAL: PAPEL DA FAMÍLIA OU DA ESCOLA? Tempo: 1hr:17 a limpo: 37min


De acordo com informações divulgadas pelo G1, quase um quinto das gestantes são adolescentes e, na última década, houve um crescimento de 700% dos casos de HIV no Brasil. Esse dado revela que a educação sexual é pouco discutida, quer seja na escola, quer seja na família, uma vez que grande parcela da sociedade trata esse tema como tabu. Diante disso, a escola – como força motriz de mudança de comportamento crítico – deve adotar medidas para resolver esse problema.


É importante, de início, compreender que a banalização da falta de educação sexual, sobretudo, na família corrobora prejuízos na formação psicossocial do jovem. A esse respeito, a famosa tela "Operários", da modernista Tarsila do Amaral, retrata como os operários eram tratados pelo sistema capitalista vigente, empilhados como mercadorias. Com pouca expressão fácil que revelasse algum sentimentalismo é fácil inferir que a pintora queria retratar o desalento vivenciado pelos trabalhadores que, possivelmente, não construíram suas próprias personalidades. Embora tenha se passado quase um século, essa padronização social é muito observada por meio das crenças compartilhadas por muitos indivíduos que possuem pouca criticidade. Uma delas é o tabu gerado ao se discutir a educação sexual nas escolas (pelo receio dos pais) e, sobretudo, nos meios familiares pelas instruções do uso correto de preservativos, por exemplo. Nesse sentido, não é difícil de se esperar um sério prejuízo ao adolescente: a gravidez precoce. Dados do G1 atestam esse fato, já que meninas de 15 a 19 anos correspondem a quase 20% do total de gestantes no Brasil. Verifica-se, pois, além da dificuldade da jovem em conciliar trabalho e estudo, uma visão pouco progressista de muitas escolas em alterar essa realidade.


Pode-se afirmar, em segundo lugar, que essa negligência social traz sérias consequências ao indivíduo. De acordo com o sociólogo Nick Couldry, em "Por que a voz importa?", um dos principais problemas do mundo contemporâneo é o da desigualdade da fala, visto que o indivíduo que não é ouvido está relegado à inexistência. Partindo desse pressuposto, com a difusão da teoria da conspiração denominada "ideologia de gênero", difundida pelo papa católico Ratzinger contra o avanço das ideias feministas na europa: uma suposta doutrinação da mídia e das escolas no condicionamento de grande parcela de indivíduos fora desse padrão patriarcal – heteronormativo-, ganhando força, sobretudo, com a campanha eleitoral do presidente Bolsonaro. Este, que, por muitas vezes, já até sugeriu – no Facebook – aos pais rasgarem as cartilhas de educação sexual entregues nas escolas. Tal fato, aliado geralmente a uma "tímida" adesão de debates nas escolas, resulta na falta de conhecimento do corpo (facilita estupros) e instruções (aumenta DSTs) informacionais aos jovens inseridos necesse cenário caótico.


Impende, pois, que essa realidade estrutural vai de encontro à formação de uma sociedade sustentável, o que faz das redes de ensino assumirem o papel inicial de resolução dessa problemática. Para isso, cabe à escola – por meio de palestras – chamar os pais ao debate, mostrando a importância do apoio familiar no processo de educação sexual a fim de que, seja a gravidez precoce, seja o estupro diminuam com o acesso à informação efetiva. Essas palestras, por sua vez, devem ter a participação de professores de sociologia e psicopedagogos de forma a evidenciarem (com dados estatísticos) a realidade preocupante atual. Ademais, os responsáveis pelos estudantes devem conduzir esse debate ao MEC para que novas cartilhas e sejam produzidas em maior quantidade, e, diferente da ótica couldriana, os jovens não sejam silenciados em meio ao contexto conservador lamentável.

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