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TEMA: É CORRETO ENSINAR RELIGIÃO NAS ESCOLAS? Escrita: 1hr:12 a limpo: 34min


Um importante acontecimento histórico que fez parte da consolidação da instalação portuguesa no Brasil foi a vinda dos jesuítas para catequizar os indígenas, os quais eram donos legítimos do território. Esse fato teve como principal característica a conversão dos "gentios" aos dógmas cristãos, os quais representam ainda uma majoritária parcela ecumênica de indivíduos no Brasil. Tal influência cristã apresenta fundamentos preocupantes em sua formação, uma vez que legitima, muitas vezes, a percepção religiosa como única, geralmente, sem notar relações sincréticas. Assim, ONGs devem solucionar essa questão.


É importante, de início, compreender que a formação educacional não confessional - vista de forma plural nas escolas - contribui para a formação de indivíduos mais altruístas e tolerantes. A esse respeito, a escritora Catherine Clément, em "A viagem de Théo", narra um romance em que o personagem principal Théo, após receber um diagnóstico de uma doença rara, aceita viajar pelo mundo com sua tia e conhecer diversas religiões. No fim da história, o garoto descobre que a religião é como uma árvore, cuja matéria é formada por diversos galhos (muitas matrizes), mas são parte de um mesmo tronco (homem que a criou). Nesse pressuposto, o jovem teve essa análise plural ao reconhecer a diversidade de matrizes religiosas existentes nos espaços onde passou. Ademais, tal ótica diminui sentimentos de intolerância religiosa, visto que há a noção de que a manifestação religiosa do outro deve ser respeitada. Verifica-se, dessa maneira, que essa educação religiosa não confessional contribuir-se-ia muito caso fosse efetivada nas escolas, principalmente, públicas.


Pode-se afirmar, em segundo lugar, que o ensino confessional significa um atraso na perspectiva progressista do Brasil. Nesse ponto, de acordo com o filósofo britânico Nick Couldry, em "Por que a voz importa?", o indivíduo que não é ouvido fica relegado à inexistência. Tal fato que é observado pelas diversas quantidades de consagrações religiosas existentes no Brasil, todavia muitas são silenciadas e desconhecidas por muitos indivíduos que participam de um majoritário seguimento religioso (protestantes ou católicos), ainda com grande apoio político. Confirma-se isso - com heranças históricas jesuíticas -, visto que o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou, em 2017, o ensino confessional nas escolas públicas, ou seja, permitirá os jovens a aprenderem, teoricamente facultativo, uma religião específica em sala de aula. Tal fato que é lamentável por separar os colegas, o que aumentaria os casos de intolerância - acirramento religioso - e o constrangimento dos alunos nessa divisão.


Impende, pois, que é preciso alterar essa visão pouco crítica de grande parcela da população, sobretudo dos políticos que usam do dinheiro público para financiar material didático e custos de limpeza para essas atividades. Para isso, cabe às ONGs, em defesa dos Direitos Humanos, criar vídeos elucidativos que promovam o debate na sociedade sobre a necessidade de se oferecer uma educação pautada na visão não confessional do ensino religioso nas escolas, sobretudo, públicas. Esses vídeos, por sua vez, devem ser realizados em parceria com empresas privadas - em defesa dos direitos civis - ressaltando, por exemplo, como a ação do STF aumentará os possíveis casos de aversão à pluralidade religiosa nas escolas. Ademais, evidenciando o intuito inviável de contratar um especialista religioso das diversas matrizes religiosas atualmente congregadas. Assim como Théo, formar-se-ia indivíduos cada vez mais empáticos e tolerantes com o que lhe é diferente.

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