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Tema livre

No ano de 2017, é lançada a série "Thirteen Reasons Why" pelo serviço de streaming da Netflix. A produção discorre acerca da personagem Hannah, que, em plena vida estudantil, perpassa por diversas situações de agressão, desrespeito e humilhação. Similarmente, o tema do bullying discutido nessa produção, vem sendo, também, trabalhado no cenário brasileiro. Essa questão, pautada sobretudo nos relacionamentos rasos e na falta de empatia, traz à tona indícios de uma humanidade doente, comprometida, especialmente, na convivência coletiva.


Primeiramente, é necessário dizer que os atos de agressão nas escolas nada mais são que um claro reflexo da sociedade contemporânea, fato que contraria a natureza humana, visto que, essa, obrigatoriamente, necessita de convivência social. Conforme Tereza D'ávila, em seu livro Castelo Interior, as pessoas possuem dificuldade de "encontrar a si mesmas", de modo que ir ao outro torna-se cada vez mais difícil, efeito potencializado com o advindo das novas tecnologias, que isolaram intensamente os sujeitos, tornando mais comum uma vida de aparências que de interações profundas.


Infelizmente, essa constatação é comumente feita apenas após a consumação de tragédias de visibilidade nacional. Em 2019, por exemplo, morrem diversas pessoas em Suzano, São Paulo; motivo: jovens se revoltam com o tratamento recebido pelo corpo docente e pelos colegas. Esse acontecimento é um de muitos que, diariamente, contribuem para a comprovação de que "violência gera violência", e que a "solução" - tragicamente - encontrada para o fim desse ciclo, por vezes, acaba sendo a morte.


Nesse sentido, é indiscutível que a questão do bullying está intimamente ligada ao modelo de intolerâncias e superficialidades sociais, precisando ser remediado não apenas nas instituições de ensino. Para sanar esse comportamento de aversão ao outro, urge que o Ministério da Educação somado a mídia nacional, trabalhe a temática - escola e sociedade - de forma integrada, discutindo não apenas os efeitos no âmbito escolar, mas a sua progressão durante a vida. Nesse sentido, é essencial que as famílias dos discentes sejam incluídas em todos os trabalhos, de modo a romper possíveis alicerces de intolerância e falta de empatia provenientes do lar. Iniciativas como essas, certamente, diminuirão a probabilidade de fins dolorosos como o da personagem Hannah Baker.

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