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A revolução francesa trouxe consigo um ideal liberalista, propagado especialmente por meio da ideia de meritocracia e igualdade, lógica posteriormente trabalhada pelos calvinistas norte-americanos que percebiam na expansão capitalista uma "concretização da salvação". Esse discurso de igualdade de condições, que parece notadamente aceito pelos brasileiros, desconsidera as diferenças sociais, culturais, políticas e especificidades individuais dos sujeitos, fator que é esmiuçado ainda mais quando visualizadas as discrepâncias na educação básica e no processo de inclusão de pessoas com deficiência.


A começar, em 2018, a Rede Record de televisão divulga dados alarmantes: 70% das crianças do país não encontram vagas para estudo. Esse dado, que é reflexo norteador para compreensão das condições estruturais do Brasil, desvela o descuido do governo com o sistema de ensino público, o que auxilia na formação e fortalecimento de uma "burguesia" contemporânea. Resta, então, um "proletariado" minguado, que por más condições financeiras ou outras adversidades, vê-se impossibilitado de pagar por um ensino digno.


Por conseguinte, essa elitização educacional não deixa de somar-se com a falta de especialização profissional docente e com o despreparo estrutural das instituições. Ainda que a educação nacional tenha melhorado em alguns pontos, conforme registra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, grupos como o dos deficientes auditivos vem sofrendo baixas nas matrículas em escolas, questão que mostra um grave problema de evasão, escape encontrado por quem não se integralmente amparado ou acolhido.


Finalmente, percebe-se que a educação tem sido utilizada, por vezes, tal qual motor de segregação social, fugindo ao uso comum como garantia dos direitos indissociáveis de cada cidadão. Sobre isso, é indispensável que - na busca pela correção das disparidades encontradas - que o Ministério da Educação (MEC), por meio do diálogo entre as diversas camadas governamentais - estaduais, municipais - promova a formação de novas escolas, objetivando elidir a falta de vagas no ensino fundamental. Além disso, o MEC poderá, ainda, promover uma melhor formação do corpo docente, de modo que esse saiba lidar com as especificidades discentes, sejam físicas, psíquicas ou cognitivas, efetivando, então, um processo mais concreto de inclusão social. Deste modo, não serão mais apenas alguns "predestinados", mas todos a ter acesso ao que é fundamental para uma vida melhor.

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