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No livro "O Ateneu", do romancista Raul Pompéia, é relatada, pelos olhos de um estudante, a vida em um colégio elitista, marcado por divisões hierárquicas e cenário de contínuos maus tratos físicos e psicológicos. Na contemporaneidade, e transcendendo as páginas do clássico, a realidade nas escolas brasileiras no que tange ao bullying não é muito adversa, o que acarreta efeitos preocupantes na sociedade, como adultos permanentemente traumatizados e agressores em potencial.
Em face dessa ideia, é de suma importância a correlação entre darwinismo social e a violência no âmbito escolar. Assim, ao adaptar a teoria de Darwin para o espaço social, diz-se que esse meio é construído a partir de relações de superioridade de um grupo a outro, aspecto refletido na esfera escolar. Portanto, a partir dessas relações, surgem os casos de abusos tanto psicológicos, característicos da violência simbólica do sociólogo Pierre Bordieu, como físicos, sempre ao redor de indivíduos diferentes do padrão do discurso dominante e que são considerados indefesos. Vale ressaltar que os traumas vividos na infância e adolescência são perpetuados por toda a vida adulta e resultam em depressão, alcoolismo e ansiedade generalizada, quando não despontam em casos mais imediatos de suicídio.
Ademais, parafraseando o filósofo Benedetto Croce, a violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora. À vista disso, o ambiente violento criado pelo bullying só gera mais hostilidade: como apregoado pelo determinismo Lamarckiano, os alunatos em contato com essa situação acabam por adaptar-se ao meio, muitas vezes por sobrevivência, o que cria um ciclo contínuo de violência, facilmente refletido na sociedade. Adicionalmente, tal problemática toma proporções maiores com o advento da internet: com o cyberbullying, é derrubada a barreira do espaço físico, o que torna o ciclo de violência ainda mais dinâmico e opressor para a vítima, assim como mais fácil para o agressor.
Diante da abordagem feita, denota-se a substancialidade de medidas reversivas. Logo, é primordial que o Ministério da Educação crie um programa de eliminação de padrões sociais, nas escolas, que, por meio de aulas expositivas, livros e vídeos, difunda a equidade e desestruture a "pirâmide estudantil", a fim de atenuar as relações de poder no convívio escolar e minimizar o bullying, como também a implementação de psicólogos, nas instituições de ensino, preparados para lidar com tais casos, para que façam acompanhamento psicológico em todos os alunatos, com o fito de remediar possíveis situações de maus tratos entre os estudantes e reparar, no possível, os já ocorridos. É também imprescindível que a Agência Brasileira de Inteligência faça uma operação virtual, por intermédio do acesso às redes sociais dos potenciais agressores, relatado pelo colégio, no intuito de desmobilizar a sua ação e tomar as providências cabíveis. Assim, espera-se que a realidade relatada por Pompéia permaneça nas paginas de seu clássico.
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