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Tema: Escola como espaço para diversidade
No fim do século XIX, em "20000 Léguas Submarinas", Júlio Verne vislumbrava para o futuro que se desenhava - utópico e otimista como Thomas Morus havia sonhado séculos antes -, uma sociedade moderna, evoluída, mergulhada nas descobertas e na esperança. Contemporaneamente, entretanto, as projeções idealizadas pelo francês, na realidade brasileira, esvaíram-se nas páginas da história, e o grave cenário de ausência do aprendizado a respeito da diversidade nas escolas mostra - se uma realidade inegável. Com efeito, a problemática persiste interpenetrada na vivência do país, como produto da indiligência do Estado e da compactuação da sociedade.
Em uma primeira análise, sob a ótica sociopolítica, a implementação do exercício da diversidade nos ambientes estudantis é dificultada pela displicência do Estado, que não disponibiliza suporte infraestrutural eficiente. Esse fato decorre do esfacelamento ético do Poder Público, que secundariza as pautas educacionais e sociais em detrimento de interesses subjetivos que visem a perpetuação do político no poder. Essa realidade ilustra com precisão aquilo que, Nicolau Maquiavel, em "O Príncipe", refletira a cerca da necessidade de o governante conduzir suas decisões políticas sempre com o propósito de perpetuar e ampliar sua esfera de poder, e, para tanto, educar a cerca da importância de respeitar as diversidade não parece mostrar - se a melhor estratégia. Desse modo, segundo o IBGE, 99,3% das pessoas entrevistadas demonstram algum tipo de preconceito, o que explicita a necessidade de melhorias na gestão estatal.
Ademais, em um segundo plano, a persistência da falta de aceitação das diferenças arquiteta - se como subproduto da compactuação da sociedade. Isso porque, nas mínimas expressões, relevante parcela da população reproduz em suas ações cotidianas o preconceito as diferenças e, assim, propagam essa prática por gerações. Esse quadro, de repetição sociocultural do problema, com nitidez, materializa empiricamente o conceito de "Habitus", formulado por Pierre Bourdieu, cuja a essência afirmava que as estruturas sócias são incorporadas e interpenetradas nos indivíduos em suas ideias e ações, na medida em que, embora a reprodução da distinção da pluralidade seja um retrocesso para o avanço da sociedade, essa ainda não é combatida, por meio da educação, nos ambientes estudantis. Dessa maneira, a sociedade esfacela sua combatividade e submerge - se em atitudes que apontam para a imprescindibilidade de implementação de atividades, nas escolas, que estimulem a aceitação.
A incapacidade do Estado, em paralelo ao consentimento do corpo social são, portanto, as causas diretas desse entrave. Dessa forma, para que haja um realinhamento nesse cenário, fazem-se necessárias mudanças concretas. Com isso, o Poder Executivo Federal, deve repassar verbas ao Ministério da Educação, para que esse possa implementar aula sobre o tema, com professores de sociologia e psicólogos , para que esses assegurem que as diversidades sejam entendidas e respeitadas, com o intuito de reduzir a exclusão, e construir, nas mínimas expressões, uma sociedade pautada na inclusão e no bem estar do indivíduo. Consequentemente, com o alcance e a eficiência dessas ações, o futuro otimista previsto por Verne será uma realidade.
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