O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Tema livre

Tema: Aborto clandestino no contexto brasileiro

O dia 28 de setembro é marcado por diversos grupos feministas como data de protestos pela descriminalização do aborto. No contexto social brasileiro, o aborto clandestino se configura como problema de saúde pública, haja vista que, até 2060, 20% das mulheres brasileiras praticarão o ato, conforme dados da OMS - Organização Mundial de Saúde. Outrossim, a temática levanta a questão da pouca emancipação feminina sociedade. Com efeito, são necessárias intervenções para mitigação da problemática.

A proibição do aborto é a principal causa da busca pelo ato legal. Isso é devido, precipuamente, à lei vigente, que permite a interrupção da gravidez apenas em casos de estupro, anencefalia do feto ou risco de vida para gestante, condição que obriga mulheres que se encaixa em outros casos, como a falta de planejamento ou a falha de métodos contraceptivos, a buscarem ajuda em clínicas clandestinas ou fazerem abortos em suas casas. Por conseguinte, aquelas, principalmente as mais pobres, que abortam em condições insalubres correm o risco de contrairem infecções e morrer, argumento refletido nos dados da OMS, os quais alertam para as altas taxas de mortes pós-parto de mulheres brasileiras devido a abortos mal feitos.

É oportuno ressaltar ainda que a temática desvela a limitada autonomia da mulher no contexto político brasileiro. Apesar da descriminalização da prática ser uma reivindicação histórica do feminismo, pautada na insigne frase de John Stuart Mill, a qual define que sobre si mesmo o indivíduo é soberano, a criminalização do abortamento usurpa o poderia feminino sobre o próprio corpo, no caso de não desejar dar prosseguimento à gravidez. Logo, essa realidade fere o princípio da autonomia da mulher, o que reforça o fato que cada vez mais mulheres façam abortos clandestinos.

Dessarte, depreende-se, em face ao exposto, que adquire sentido de imprescindibilidade a tomada de ações públicas para a retificação da problemática. Por isso, é premente que o Poder Legislativo promova urgentemente a descriminalização do aborto provocado, para que o Ministério da Saúde, por meio dos órgãos competentes e de convenções nos estados, ofereça auxílio médico e psicológico para gestantes que, por motivos de ordem familiar ou econômica, planejem abortar, para que possam fazê-lo com segurança, visando manter a integridade física e psicológica dessas mulheres. Mediante a adoção dessas medidas, resolver-se-ão as problemáticas ligadas ao aborto clandestino.
Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!