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Tema: como enfrentar o aumento do consumo de drogas lícitas por adolescentes
No fim do século XIX, em "20000 Léguas Submarinas", Júlio Verne vislumbrava para o futuro que se desenhava - utópico e otimista como Thomas Morus havia sonhado séculos antes -, uma sociedade moderna, evoluída, mergulhada nas descobertas e na esperança. Contemporaneamente, entretanto, as projeções idealizadas pelo francês, na realidade brasileira, esvaíram-se nas páginas da história, e o grave cenário de aumento no uso das drogas lícitas por jovens mostra uma realidade inegável. Com efeito, a problemática persiste interpenetrada na vivência do país, como produto da indiligência do Estado e da compactuação da sociedade.
Em uma primeira análise, sob a ótica sociopolítica, o combate ao aumento no uso de entorpecentes lícitos é dificultado pela displicência operacional do Estado, que não disponibiliza suportes infraestruturais e burocráticos eficientes. Esse fato decorre do esfacelamento do Poder Público, que secundariza as pautas legislativas em detrimento de interesses subjetivos que visem a perpetuação do político no poder. Essa realidade ilustra com precisão aquilo que, no século XVI, Nicolau Maquiavel, em "O Príncipe", refletira a cerca da necessidade de o governante conduzir suas decisões políticas sempre com o propósito de perpetuar e ampliar sua esfera de poder, e, para tanto, aprimorar e fiscalizar o cumprimento das leis que proíbem a venda dessas substâncias para adolescentes não parece mostrar-se a melhor estratégia.Desse modo, segundo o IBGE, 63,4% dos jovens entrevistados já consumiram algum tipo de droga lícita, o que explicita a imprescindíbilidade de melhoria na gestão estatal.
Ademais, em um segundo plano, a perpetuação do crescimento do uso inadequado de entorpecentes lícitos arquiteta-se como subproduto da compactuação da sociedade. Isso porque, nas mínimas expressões, relevante parcela da população reproduz em suas ações cotidianas o hábito de estimular outros indivíduos ao consumo, já que esse é visto como um meio recreativo e, assim, propagam essa prática por gerações. Esse quadro, de repetição sociocultural do problema, com nitidez, materializa empiricamente o conceito de "Habitus", formulado por Pierre Bourdieu, cuja essência afirmava que as estruturas sociais são incorporadas e interiorizadas pelos indivíduos nas suas ideias e ações, na medida em que, embora existam riscos à saúde, a utilização desses tóxicos é frequente. Dessa maneira, a sociedade esfacela a sua combatividade e submerge-se em práticas que apontam para a imprescindibilidade da resolução do crescimento do consumo de drogas lícitas no país.
A ineficiência do Estado, em paralelo ao consentimento do corpo social são, portanto, as causas diretas desse entrave. Dessa forma, para que haja um realinhamento nesse cenário, fazem-se necessárias mudanças concretas. Com isso, o Poder Executivo Federal, conjuntamente aos governos Municipais e Estaduais, deve criar órgãos estatais de fiscalização das leis já existentes, com funcionários que inspecionem os ambientes que vendem drogas lícitas - álcool e cigarro -, para que esses assegurem que o local está cumprindo a norma de não comercializar essas substâncias para menores, com o intuito de reduzir o consumo, e construir, nas mínimas expressões, uma sociedade pautada na saúde e no bem estar do indivíduo. Consequentemente, com o alcance e a eficiência dessas ações, o futuro otimista previsto por Verne será uma realidade.
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