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Em "Memórias Póstumas",obra que inaugura o realismo na literatura brasileira,Brás Cubas,o defunto de Machado de Assis,profere que nunca teve filhos e tampouco transmitiu a alguma criatura o legado da nossa miséria.Tal posição,decerto,seria corroborada pelo autor no Estado brasileiro do terceiro milênio,uma vez que a dependência tecnológica associada intrinsecamente à realidade do país reflete uma das facetas mais inescrupulosas de uma sociedade que se encontra em desenvolvimento,seja pela insuficiência de leis, seja pela mentalidade social, o que vai de encontro não somente a preceitos éticos e morais,mas também a cláusulas pétreas estabelecidas pela Carta Magna nacional. Com efeito, um diálogo entre Estado Democrático de Direito e sociedade civil acerca da reversão da dependência tecnológica é medida que se impõe.

Mormente,convém ressaltar que tal problemática deve-se a falhas na questão legal e sua aplicação,haja vista que,conquanto a Constituição Federal de 1988,norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro,assegure a formação cidadã efetiva dos indivíduos,a ineficiência de algumas gestões ratifica a dependência tecnológica no tecido social.Essa conjuntura,consoante as ideias do contratualista Jhon Locke,configura uma violação do "Contrato Social",já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis(como o direito à educação de qualidade) para promover o bom senso entre os membros da sociedade.Desse modo,a precariedade envolta no sistema educacional potencializa o uso distópico e desmoderado de mecanismos tecnológicos na realidade brasileira.

Outrossim,é cabível salientar que essa circunstância é corroborada pelo pensamento social,visto que parcela do corpo coletivo,de maneira errônea e subvertida pelo capitalismo selvagem,negligencia a necessidade fecunda de ponderar a utilização de díspares meios tecnológicos, o que dificulta a resolução da dependência desse processo.Sob tal perspectiva,Émmile Durkhein disserta que o fato social constitui uma maneira coletiva de agir e de pensar,dotada de exterioridade,generalidade e coercitividade.Por conseguinte,a máxima do sociólogo assume respaldo específico na sociedade brasileira,na qual a dependência tecnológica,de variados modos,reflete a cristalização do caótico vilipêndio ao uso cidadão e consciente do sistema de tecnologia vigente.

Destarte,depreende-se que a dependência tecnológica do terceiro milênio constitui um entrave que demanda imediata mitigação.Urge,nesse contexto,que o Estado,como gestor dos interesses coletivos e promotor da cidadania,veicule,mediante destinação de recursos ao Ministério da Cultura,campanhas informativas acerca do uso moderado e consciente de mecanismos tecnológicos,visando a instruir os indivíduos a respeito desse aspecto e minimizar a dependência tecnológica.Ademais,é imperativo que a Escola,como formadora de caráter,desenvolva palestras e trabalhos em grupo sobre o bom senso no tocante ao uso da tecnologia,por meio da contratação de professores e especialistas,com o fito de consolidar a cidadania e preceitos constitucionais.Ainda é mister que ONGs e a população fomentem essa proposta,por intermédio de projetos nas comunidades.Assim,poder-se-á construir um legado do qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.
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