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Tema: crescimento da obesidade no Brasil do século XXI
No fim do século XIX, em "20000 Léguas Submarinas", Júlio Verne vislumbrava para o futuro que se desenhava - utópico e otimista como Thomas Morus havia sonhado séculos antes -, uma sociedade moderna, evoluída, mergulhada nas descobertas e na esperança. Contemporaneamente, entretanto, as projeções idealizadas pelo francês, na realidade brasileira, esvaíram-se nas páginas da história, e o grave cenário de obesidade mostra-se uma realidade inegável. Com efeito, a problemática persiste interpenetrada na vivência do país, como produto da indiligência do Estado e da compactuação da sociedade.
Em uma primeira análise, sob a ótica sociopolítica, o combate ao crescente quadro de obesidade no Brasil é dificultado pela displicência do Estado, em disponibilizar suportes infraestruturais e burocráticos. Esse fato decorre do esfacelamento do Poder Público, que secundariza as pautas de saúde em detrimento de interesses subjetivo que visem a manutenção do político no poder. Essa realidade ilustra com precisão aquilo que, no século XVI, Nicolau Maquiavel, em "O Príncipe", refletira a cerca da necessidade de o governante conduzir as suas decisões políticas sempre com o propósito de perpetuar e ampliar sua esfera de poder, e, para tanto, expandir o acesso da população à nutricionistas e endocrinologistas não parece se mostrar a melhor estratégia. Desse modo, fica notório que uma melhoria na gestão estatal é imprescindível para desfazer esse quadro que vem aumentando 11% ano, segundo dados da OMS.
Ademais, em um segundo plano, a perpetuação do crescimento da obesidade arquiteta-se como subproduto da compactuação da sociedade. Isso porque, nas mínimas expressões, relevante parcela da população reproduz em suas ações cotidianas o hábito de alimentar-se de forma inadequada e exagerada, na busca por alívio das pressões impostas socialmente e, assim, propagam essa prática por gerações. Esse quadro, de repetição sociocultural do problema, com nitidez, materializa empiricamente o conceito de "Habitus", formulado por Pierre Bourdieu, cuja essência afirmava que as estruturas sociais são incorporadas e interiorizadas pelos indivíduos nas suas ideias e ações, na medida em que, embora existam riscos à saúde, a obesidade é frequente. Dessa maneira, a sociedade esfacela a sua combatividade e submerge-se em práticas que apontam para a imprescindibilidade da resolução do crescimento da obesidade no país.
A ineficiência do Estado, em paralelo ao consentimento do corpo social são, portanto, as causas diretas desse entrave. Dessa forma, para que haja um realinhamento nesse cenário, fazem-se necessárias mudanças concretas. Com isso, o Poder Executivo Federal deve repassar verbas ao Ministério da saúde, para que esse instaure políticas de ampliação do acesso a endocrinologistas e nutricionistas nos postos de saúde, por meio de parceria com universidades, em que alunos do curso de medicina, com a orientação de médicos já formados, serão responsáveis por atender essas pessoas, com o intuito de reduzir os casos de obesidade, e construir, nas mínimas expressões, uma sociedade pautada na saúde e no bem estar do indivíduo. Consequentemente, com o alcance e a eficiência dessas ações, o futuro otimista previsto por Verne será uma realidade.
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