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Tema: O bullying escolar na realidade brasileira
No fim do século XIX, em "20000 Léguas Submarinas", Júlio Verne vislumbrava para o futuro que se desenhava - utópico e otimista como Thomas Morus havia sonhado séculos antes -, uma sociedade moderna, evoluída, mergulhada nas descobertas e na esperança. Contemporaneamente, entretanto, as projeções idealizadas pelo francês, na realidade brasileira, esvaíram-se nas páginas da história, e o grave cenário de bullying nas escolas mostra-se inegável. Com efeito, a problemática persiste interpenetrada na vivência do país, como produto da indiligência do Estado e da compactuação da sociedade.
Em uma primeira análise, sob a ótica sociopolítica, o combate ao bullying é dificultado pela displicência operacional do Estado, que não disponibiliza suportes infraestruturais e burocráticos eficientes. Esse fato decorre do esfacelamento do Poder Público, que secundariza as pautas legislativas em detrimento de interesses subjetivos que visem a perpetuação do político no poder. Essa realidade ilustra com precisão aquilo que, no século XVI, Nicolau Maquiavel, em "O Príncipe", refletirá a cerca da necessidade de o governante conduzir as suas decisões políticas sempre com o propósito de perpetuar e ampliar sua esfera de poder, e, para tanto, aprimorar e fiscalizar o cumprimento das leis antibullying não parecem se mostrar a melhor estratégia. Desse modo, segundo o IBGE, 46,6% dos jovens sofrem bullying nas escolas, o que explicita a imprescindíbilidade de melhoria na gestão estatal para combater o problema.
Ademais, em um segundo plano, a perpetuação dessa agressão arquiteta-se como subproduto da compactuação da sociedade. Isso porque, nas mínimas expressões, relevante parcela da população reproduz em suas ações cotidianas o hábito de ofender como uma brincadeira, repassando essa prática aos filhos. De outra parte, muitos, por descrença, não consideram a viabilidade de transformação dessa realidade, e optam pelo silêncio. Esse panorama vai de encontro à ideia desenvolvida pelo sociólogo francês Michael Foucault, em "A Microfísica do Poder", que, a partir do conceito de "Disciplina", defende que a sociedade e as ideologias impostas trabalham conjuntamente a fim de criarem um corpo social passivo e resignado, por meio de coerções introjetadas no sujeito. Dessa maneira, por silenciamento e reprodução ideológica, os empecilhos para a superação do problema perpetuam-se, fazendo vítimas físicas e simbólicas todos os anos.
A ineficiência do Estado, em paralelo ao consentimento do corpo social são, portanto, as causas diretas desse entrave. Dessa forma, para que haja um realinhamento nesse quadro, fazem-se necessárias mudanças concretas. Com isso, o Poder Executivo Federal conjuntamente aos governos Estaduais e Municipais deve instaurar políticas de ampliação e fiscalização do cumprimento das leis já existentes - haja vista a importância de assegurar os diretos previstos pelo artigo 5º da Constituição-, para que seja possível reduzir os casos de bullying nas escolas, e construir, nas mínimas expressões, uma sociedade pautada na segurança dentro do ambiente estudantil, com o intuito de promover harmonia nas relações interpessoais. Consequentemente, com o alcance e a eficiência dessas ações, o futuro otimista previsto por Verne será uma realidade.
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