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Tema: como enfrentar o aumento do consumo de drogas lícitas por adolescentes
No fim do século XIX, em "20000 Léguas Submarinas", Júlio Verne vislumbrava para o futuro que se desenhava - utópico e otimista como Thomas Morus havia sonhado séculos antes -, uma sociedade moderna, evoluída, mergulhada nas descobertas e na esperança. Contemporaneamente, entretanto, as projeções idealizadas pelo francês, na realidade brasileira, esvaíram-se nas páginas da história, e o grave cenário de aumento no uso das drogas lícitas por jovens mostra uma realidade inegável. Com efeito, a problemática persiste interpenetrada na vivência do país, como produto da indiligência do Estado e da compactuação da sociedade.
Em uma primeira análise, sob a ótica sociopolítica, o aumento do consumo de entorpecentes lícitos por adolescentes, no Brasil, é fomentada pela negligência do poder público. Essa conjuntura se constrói em decorrência da omissão do Estado em fiscalizar o cumprimento das leis, as quais proíbem a venda dessas substâncias para menores, abstendo-se do seu dever constitucional. Tal panorama social foi instaurado como subproduto do esfacelamento do Poder Público que, reduz a complexidade do uso excessivo desses tóxicos, para priorizar investimentos que visem a perpetuação do político no poder, mantendo a pauta secundarizada. Essa perspectiva, afirma a teoria do filósofo polonês Zygmunt Bauman que, defende que o Estado neoliberal tem como prerrogativa inerente a busca pela satisfação do Mercado e das relações de poder e, consequentemente, as políticas e investimentos sociais são postos em segundo plano. Desse modo, é imprescindível que os órgãos estatais efetivem suas funções.
Ademais, em um segundo plano, a dificuldade em enfrentar o aumento no consumo de drogas lícitas arquiteta-se como subproduto da compactuação da sociedade. Isso porque, nas mínimas expressões, relevante parcela do população reproduz em suas ações cotidianas a coerção ao uso dessas substâncias como forma recreativa. De outra parte, muitos, por ignorância , desconhecem as consequências que essa realidade pode trazer à saúde, e se tornam inertes. Esse panorama vai de encontro à ideia desenvolvida pelo sociólogo francês Michael Foucault, em "A Microfísica do Poder", que, a partir do conceito de "Disciplina", defende que a sociedade e as ideologias impostas trabalham conjuntamente a fim de criarem um corpo social passivo e resignado, por meio de coerções introjetadas no sujeito. Dessa maneira, por desconhecimento e reprodução ideológica, os empecilhos para a superação do problema perpetuam-se, fazendo vítimas físicas todos os anos.
A incapacidade do Estado, em paralelo ao consentimento do corpo social são, portanto, as causas diretas desse entrave. Dessa forma, a fim de reduzir o uso dessas substâncias, e construir, nas mínimas expressões, uma sociedade pautada na saúde, o Poder Executivo Federal, em conjunto aos governos Estaduais e Municipais, deve instaurar - a partir de expressivos esforços operacionais e orçamentários - políticas públicas de fiscalização das leis já existentes - haja vista a importância de promover o cumprimento adequado dessas -, palestras nos ambientes estudantis e campanhas com amplo apoio midiático, com o objetivo de não só extinguir a problemática, mas, também, explicar os danos que ela traz às relações interpessoais. Consequentemente, com o alcance e a eficiência dessas ações, o futuro otimista previsto por Verne será uma realidade.
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