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Agro é tóxico
Em julho de 2018, a bancada ruralista da Câmara dos Deputados aprovou, em comissão especial, um relatório favorável ao chamado popularmente de P.L. do Veneno. O projeto retira o controle e a regulação do uso de agrotóxicos no país dos órgãos de saúde e do meio ambiente e os coloca nas mãos do Ministério da Agricultura. A medida dividiu opiniões entre a sociedade, uma vez que suas consequências negativas são claras no Brasil. Diante disso, mostra-se necessária uma discussão aprofundada sobre o assunto, levando em conta as consequências da utilização desses herbicidas e a motivação econômica por trás dessa prática.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o uso de agrotóxicos causa diversos problemas para o meio ambiente e para a saúde da população. Pulverizados por aviões e tratores, as substâncias químicas poluem o solo e os lençóis freáticos, além de reduzir drasticamente a diversidade de insetos na região. Ademais, os riscos salutares do consumo e da aplicação desses pesticidas são alarmantes. Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, revelou que 100% das mães pesquisadas que amamentaram em 2010 apresentavam resíduos de agrotóxicos no leite materno. O próprio Instituto Nacional do Câncer (Inca) se posicionou contra o uso de herbicidas em 2016, devido ao seu alto potencial cancerígeno. Tal fato grave requer mudanças.
Outro ponto que merece atenção é o fato de o uso de agrotóxicos interessar diretamente às grandes empresas agropecuárias. Motivados pelo desejo capitalista do máximo lucro, os donos dessas indústrias utilizam tais substâncias para aumentar a sua produção, sem se preocupar se elas prejudicarão a saúde daqueles que consumirem seus produtos. Além disso, muitos desses empresários possuem representantes no governo nacional - a bancada ruralista -, que lutam para que leis como a P.L. do Veneno sejam aprovadas, beneficiando o seu negócio. No entanto, a presença de agrotóxicos nos produtos agrícolas pode prejudicar até mesmo esse mercado. Em 2012, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA vetou um grande carregamento de suco de laranja brasileiro devido à presença de um fungicida proibido. Essa realidade é séria, porém mutável.
Diante dos argumentos citados, fica clara a necessidade de se tomar medidas em relação ao uso de agrotóxicos no Brasil. Uma delas é a intensificação dos procedimentos regulatórios e a melhoria da gestão das instituições de saúde e meio ambiente, como a ANVISA e o IBAMA, por meio da ampliação do seu poder de ação nas casas de governo brasileiras. Além disso, a mídias sociais, juntamente com ONGs naturalistas, devem mobilizar a população a participar de decisões como a aprovação de projetos similares à P.L. do Veneno, por meio de propagandas e documentários que instiguem a reivindicação de referendos e plebiscitos sobre o assunto. Dessa forma, a sociedade enfrentará conjuntamente o uso de herbicidas e poderá garantir um futuro mais saudável para si e para as gerações futuras.
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