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Tema: Meios para superar a desigualdade social no Brasil
No fim do século XIX, em "20000 Léguas Submarinas", Júlio Verne vislumbrava para o futuro que se desenhava - utópico e otimista como Thomas Morus havia sonhado séculos antes -, uma sociedade moderna, evoluída, mergulhada nas descobertas e na esperança. Contemporaneamente, entretanto, as projeções idealizadas pelo francês, na realidade brasileira, esvaíram-se nas páginas da história, e a superação da desigualdade social mostra cada vez mais difícil. Com efeito, a problemática persiste interpenetrada na vivência do país, como produto da indiligência do Estado e da compactuação da sociedade.
Em uma primeira análise, sob a ótica sociopolítica, a desigualdade social possui estreita relação com a ausência de oportunidades iguais para todos, a qual construiu, ideologicamente, uma cultura de exclusão e opressão. Essa conjuntura social foi instaurada como subproduto do esfacelamento do Poder Público que, reduz a complexidade dessa realidade social, mantendo a pauta secundarizada e, pondo, assim, esses indivíduos à margem dos direitos instituídos - essa realidade desconstrói de modo marcante o cenário de otimismo, que outrora Júlio Verne projetou. Contudo, negar tal garantia a essa minoria é infringir o "Princípio da isonomia", que Rosseau refletirá em sua teoria do "Contrato Social". Desse modo, é imprescindível que os órgãos estatais efetivem suas funções.
Ademais, em um segundo plano, a perpetuação da disparidade econômica arquiteta-se como subproduto da compactuação da sociedade. Isso porque, nas mínimas expressões, relevante parcela da população reproduz em suas ações cotidianas o hábito de silenciar-se. De outra parte, muitos, por descrença, não consideram a viabilidade de transformação dessa realidade, e se tornam inertes. Esse panorama vai de encontro à ideia desenvolvida pelo sociólogo francês Michael Foucault, em "A Microfísica do Poder", que, a partir do conceito de "Disciplina", defende que a sociedade e as ideologias impostas trabalham conjuntamente a fim de criarem um corpo social passivo e resignado, por meio de coerções introjetadas no sujeito. Dessa maneira, por silenciamento e reprodução ideológica, os empecilhos para a superação do problema perpetuam-se, fazendo vítimas físicas e simbólicas todos os anos.
A incapacidade do Estado, em paralelo ao consentimento do corpo social são, portanto, as causas diretas desse entrave. Dessa forma, a fim de combater o exorbitante quadro de desigualdade social no Brasil, e construir, nas mínimas expressões, uma sociedade pautada na igualdade de direitos, o Poder Executivo Federal, em conjunto aos governos Estaduais e Municipais, deve instaurar - a partir de expressivos esforços operacionais e orçamentários -, políticas públicas de educação - haja vista a importância do estudo para o crescimento profissional -, com o intuito de promover mais oportunidades e, ainda, investimento infraestrutural em diversos setores da economia, com o objetivo de gerar empregos e, com isso , reduzir as disparidades no país. Consequentemente, com o alcance e a eficiência dessas ações, o futuro otimista previsto por Verne será uma realidade.
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