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Tema: Caminhos para combater a violência no campo.

Em meados do século XX, a base doutrinária estabelecida pelo poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht afirmava que " Nenhum problema nos deve parecer natural, nem impossível de ser mudado". Nesse sentido, a questão do campo no Brasil, perpassando pelo alto índice de violência presente nesse ambiente, urge por mudanças significativas. Sob essa perspectiva, inferi-se que a ineficiência do Estado e a inação e compactuação da sociedade são, indubitavelmente, canalizadores desse panorama.
Em primeiro plano, sob a ótica sociopolítica, o fim da violência no campo é dificultada pela displicência operacional do Estado, que não disponibiliza suportes fiscais e burocráticos eficientes. Esse fato decorre do esfacelamento do Poder Público, que secundariza as pautas de problemas sociais,no meio rural, em detrimento de interesses subjetivos que visem a perpetuação do político no poder. Essa realidade ilustra com precisão aquilo que, no século XVI, Nicolau Maquiavel,em sua obra "O Príncipe", refletira acerca da necessidade de o governante conduzir suas decisões políticas sempre com o propósito de expandir e perpetuar sua esfera de poder, e , para tanto, acabar com a violência do campo- que na maioria das vezes é motivada para atender à vontade de fazendeiros aliados ao governo- não parece se mostrar uma boa estratégia. Dessa forma, fica notório que uma melhoria na gestão estatal é imprescindível para desfazer esse quadro que vem crescendo cerca de 40% ao ano, segundo dados do IBGE,e para que o convívio ético e harmônico seja restabelecido.
Ademais, em uma segunda análise, a dificuldade de acabar com a violência nos ambientes pastoris é fomentada pela compactuação e a inação da população diante desse cenário. A gênese desse fato decorre de uma sociedade que se cala diante de problemas sociais, haja vista que foi culturalmente doutrinada, desde a Ditadura Militar - na qual a liberdade de expressão foi proibida - acharem que manter-se inerte é melhor para si do que mobilizar-se para pressionar o Governo por mudanças. Essa conjuntura relaciona-se com a premissa defendida por Félix Guattari, em sua obra "Mil Platôs", de que, na contemporaneidade, forma-se corpos dóceis e apáticos, o que corrobora com o desinteresse dos indivíduos nas problemáticas do campo e, consequentemente, com a perpetuação da violência . Dessa maneira, a sociedade não se manifesta a favor de melhorias em relação a essa grave problemática, o que acaba normalizando-a e negligenciando-a
Torna-se evidente, portanto, que a incapacidade do Estado, em paralelo ao consentimento do corpo social são, portanto, as causas diretas desse entrave no Brasil. Dessa forma, a fim de combater esse quadro de hostilidade no meio rural, e construir, nas mínimas expressões uma sociedade pautada na segurança, o Poder Executivo Federal, em conjunto aos governos Estaduais e Municipais, deve instaurar - por meio de expressivos esforços operacionais e orçamentários - políticas públicas de fiscalização das leis já existentes - haja vista a importância de promover o convívio harmônico nos ambientes de convivência -, palestras nos ambientes estudantis e campanhas com amplo apoio midiático, com o objetivo de não só extinguir a problemática, mas, também, explicar os danos que ela traz às relações interpessoais. Consequentemente, com o alcance e a eficiência dessas ações, a mudança proposta por Bertolt Brecht poderá ser uma realidade no Brasil.
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