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TEMA: INTOLERÂNCIA E DISCURSO DE ÓDIO NAS REDES SOCIAIS NO BRASIL

Em sua filosofia contratualista, Thomas Hobbes afirma que o estado de natureza do homem (momento que antecede a formação da sociedade civil) é marcado pelo constante conflito entre as pessoas. Entretanto, ao analisar o atual cenário de intolerância e ódio nas redes sociais no Brasil, percebe-se que os brasileiros ainda não se desvincularam de suas características naturais. Dentre as causas dessa problemática, pode-se citar a impunidade e o individualismo nos discursos.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o ambiente virtual é visto por muitos como um "território sem lei", haja vista a liberdade individual que esse garante. Consequentemente, surge a impunidade ao usuário da internet, que, desfrutando da ausência de um aparato legal visível, promove atos e discursos preconceituosos nas redes sociais. Bom exemplo dessas práticas ocorreu em 2015, quando a jornalista Maju Coutinho foi alvo de comentários racistas no Facebook. Dessa forma, a impunidade nas redes sociais, fortalecida pela precária atuação de mecanismos investigativos, promove um retrocesso da própria democracia, pois facilita ações que agridem os direitos humanos.
Além disso, a potencialização do "eu" nas redes sociais impulsiona o individualismo nos discursos virtuais, tornando-os mecanismos que buscam o convencimento alheio, mesmo que seja necessário utilizar a intolerância e o ódio. Contudo, Habermas, em sua ética discursiva, demonstra que os debates no sistema democrático necessitam se desvincular do convencimento e almejar o alcance de princípios morais, como a justiça e a solidariedade. Portanto, o individualismo discursivo, além de demonstrar certas falhas no processo educacional dos brasileiros, também é um fator que colabora com as práticas preconceituosas nas redes sociais.
Dessarte, urge que o Poder Legislativo, por intermédio de parcerias com mecanismos investigativos do ramo tecnológico, crie leis específicas para as práticas de ódio e intolerância no meio virtual, além de incentivar e monitorar a busca por perfis, fakes ou não, que realizaram tais ações, o que diminuirá a impunidade cibernética. Ademais, cabe às escolas, públicas e privadas, por meio de reformulações nas ementas escolares e convocação de pais e mestres, realizarem atividades filosóficas e sociológicas que, além de problematizarem as malevolências nas redes sociais, estimulem o ensinamento prático e teórico da ética discursiva, fazendo com que se amenize o individualismo e amplie o senso coletivo e democrático. Assim, a população brasileira estará cada vez mais distante do estado de guerra hobbesiano.
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