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TEMA: O REAPARECIMENTO DE DOENÇAS ERRADICADAS NO BRASIL
Em sua obra "A Peste", Albert Camus retrata as mazelas sociais causadas por uma epidemia que assola a cidade de Orã. Entretanto, ao analisar o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, compreende-se que esse cenário perverso não se restringe à ficção literária. Dentre as causas que impulsionam essa realidade, pode-se citar a negligência estatal e os movimentos antivacinação.
Em primeiro lugar, o Estado brasileiro possui uma incapacidade de promover as condições básicas de saúde, principalmente para a população de baixa renda, fato já explicitado por Aluísio Azevedo na insalubridade vivenciada pelos moradores do cortiço carioca. Essa ineficácia governamental é refletida na existência de aspectos desumanos, como lixões a céu aberto e contaminações de recursos hídricos, que, além de promoverem o surgimento de vírus e bactérias, facilitam a reprodução de agentes vetores, como ratos e mosquitos. Desse modo, a negligência estatal para com o acesso à saúde de grande parcela populacional concede uma situação propícia ao ressurgimento de inúmeras doenças no país.
Além disso, a presença de movimentos antivacinação no Brasil também é um fator determinante dessa problemática. Diferentemente de episódios históricos relacionados à aversão ao modo agressivo que as vacinas eram aplicadas, como ocorreu na Revolta da Vacina, essas "campanhas" contemporâneas ganham força não apenas através da ignorância, mas também por meio de notícias falsas. Consequentemente, há o reaparecimento de doenças já erradicadas no país, como é o caso da poliomielite, que, segundo dados do Ministério da Saúde, apresenta áreas de risco em mais de 300 cidades brasileiras. Portanto, essas ações populares e irracionais, além de representarem um perigo à saúde pública, são verdadeiros retrocessos social e humano.
Dessarte, urge que os Governos Municipais, por intermédio de averiguações das principais áreas de risco nas regiões carentes, realizem investimentos maciços em saneamento básico, focando na extinção de lixões, construções de aterros sanitários e tratamento de recursos hídricos, o que amenizará a incidência de possíveis proliferadores de doenças nessas localidades. Ademais, cabe às ONGs relacionadas à área da saúde, por meio de parcerias com veículos de comunicação e escolas, promover campanhas que, além de desmistificar inverdades divulgadas pelos movimentos antivacina, estimulem as práticas preventivas e imunológicas tanto nos adultos quanto nas crianças, tornando possível a diminuição dos contágios por doenças anteriormente erradicadas. Assim, o Brasil estará cada vez mais distante da ficção de Camus.
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