O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Tema livre

TEMA: Efeitos do preconceito linguístico na sociedade brasileira

Na obra "O Povo Brasileiro", Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, retrata que nosso País é composto de quatro "Brasis", dotados de cultura, tradição e variação linguística. Contudo, o povo brasileiro não é tão colhedor a sua própria cultura como costuma ser com culturas exteriores. Sob esse viés, convém analisarmos que o principal efeito do preconceito linguístico é a desvalorização da cultura do Brasil que corrobora na manutenção da intolerância social.

Hodiernamente, o Brasil Sertanejo de Darcy Ribeiro é a principal vítima do preconceito linguístico. No filme "Que horas ela volta", protagonizado por Regina Casé, fica explícito na fala do filho da família nobre paulista, que se refere à filha da doméstica ? Val ? como "Ela fala igual a Val", acompanhado por risos de escárnio, o tom de deboche quanto ao sotaque e dialetos nordestinos. Outrossim, a variedade cultural linguística deve somar na cultura brasileira e, ao contrário disso, provoca dificuldade de auto aceitação nos cidadãos que nasceram distantes do centro sul do país. Ademais, os estereótipos colaboram na marginalização de gírias e dialetos, a exemplo da linguagem das mazelas sociais ? subúrbios, favelas, periferia.

Indubitavelmente, a língua é viva e fluida, transforma-se com base no perfil de seus falantes. Com efeito, a elitização da linguagem corrobora na manutenção da intolerância social, isto é, o cidadão que faz uso de gírias e dialetos de sua região em detrimento da formalidade da língua é rotulado como inferior que reflete seu grau de escolarização e status social. Com isso, promove o uso de distorção do significado denotativo, pelo pejorativo, a exemplo do termo "caipira" que ao invés de referir-se ao cidadão oriundo da região centro-oeste, refere-se à inferiorização do indivíduo rural. Isto também colabora para a dificuldade de auto aceitação da identidade cultural e promove respostas indentitárias como "Não troco o meu oxente pelo ok de ninguém" de Ariano Suassuna, escritor nordestino.

Destarte, é evidente que a cultura miscigenada brasileira não deve ser alvo de preconceito e sim de celebrações. Para tanto, cabe ao Ministério da Cultura, por meio das redes sociais e nas escolas, a exploração e apresentação lúdica da variação linguística brasileira, com ênfase no entretenimento e respeito pelas diferenças e valorização da linguagem dos quatro Brasis responsáveis pela formação do povo brasileiro.
Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!