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"Victória tem 9 anos e há muito sonha com o dia em que terá um pai e uma mãe. Sonha com o momento o qual poderá viver em família, celebrar o natal, o dia das crianças, ir até a escola e ganhar um beijo de despedida da mamãe.Infelizmente, isso é apenas um sonho, Victória sabe que devido a sua cor e pela idade dificilmente será adotada . Assim ela sonha, mas sabe que essa fantasia é uma tentativa de amenizar os pesadelos reais de todos os dias." Essa narrativa fictícia, embora semelhante a realidade revela a dificuldade do processo de adoção no Brasil, pois, lamentavelmente, adotar é, para muitos, uma maneira de preencher o vazio dos adotantes, sendo precípua a mudança desse problema.
Em um primeiro plano, consoante a Clovis Beláque, a adoção é um ato civil pelo qual alguém aceita um estranho na condição de filho. Entretanto, diversas vezes esse ato tem sido utilizado para preencher o vazio e as carências dos adotantes, ou, em outros casos, o processo é visto como uma compra, no qual os "futuros pais" são capazes de escolher a cor da pele, o tipo de cabelo, revelando, portanto, que muitas vezes o brasileiro deseja adotar para exibição na sociedade. Além disso, é possível observar casos em que as crianças preferem rejeitar do que serem rejeitadas, construir uma família com os componentes do próprio orfanato, como ocorre no livro "Capitães de Areia" do escritor baiano Jorge Amado, que retrata a vida de jovens crianças nas ruas devido a falta de adoção nos orfanatos, sendo esquecidas e, então, passam a construir uma família com os amigos. Logo, depreende-se que a ineficiência do processo é responsável por casos de abandono, por parte dos adotantes e rejeição por adotados.
Somado a isso, a literatura reproduz o contexto social, politico e cultural de uma época , o que comprova a ideia de que a arte imita a vida. Nesse sentido, o processo de adoção é revelado através de diversas obras da literatura infanto-juvenil, como no livro Harry Potter, de J K Rowlling, retratando a falta de amor que os pais adotivos tinham por Harry, a fornecer um tratamento diferente do oferecido aos filhos biológicos. Nesse mesmo contexto, a vida imita a arte, pois observa-se o constante distanciamento, em alguns casos, do tratamento dado aos filhos biológicos e de "coração", em que os últimos estudam em escolas diferentes, ganham presentes diferentes, revelando a inferiorização do indivíduo adotado, tanto na obra Harry Potter, como na vida real. Logo, não deve haver olhar oblíquo diante dos filhos adotados, a promover, por conseguinte, o tratamento igual entre os filhos.
Em vista disso, é necessário que a literatura exerça o seu papel social. Para tanto, é imprescindível que as escolas e as famílias, em uma parceria para formar o indivíduo na sua integridade, selecione obras literárias que tenham enredo engajador e que promovam releituras daquelas que produzem paradigmas. Isso deverá ser feito por meio de ciranda de livros , da contação de histórias, da leitura participada com as famílias, porque a literatura quando trabalhada como arte e troca de saberes tem o poder de formar leitores críticos e sujeitos conscientes em seu entorno. Assim, temáticas como a adoção ganharão visibilidade, e os tabus e concepções equivocadas acerca delas serão desconstruídas , proporcionando mais empatia e consequente maior número de adotados.
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