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Tema ENEM 2014

Antes tarde do que nunca

Em meados do século XX, o filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre, dizia que nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela engaja a humanidade inteira. Entretanto, o ser humano não tem utilizado dessa capacidade para transformar a sociedade em que vive. Prova disso, é a ausência de preocupação com as questões relacionadas à publicidade infantil no que tange aos malefícios dessa prática. Nesse sentido faz-se necessário conhecê-los.

Primeiramente, é importante lembrar que o ser humano é influenciado por tudo aquilo que ouve e vê. Então, quando uma criança assiste ou lê uma campanha publicitária, essa tende a ser manipulada pela ideia do consumismo necessário. Como já disse Adorno, sociólogo que estudou a Indústria Cultural, a mídia cria certos esteriótipos que tiram a liberdade de pensamento dos espectadores, forçando imagens, muitas vezes errôneas, em suas mentes. Retomando o exemplo das crianças , de tanto serem expostas a produtos e serviços, tendem a se tornarem futuros consumidores compulsivos desde a tenra idade.

Outrossim, é possível perceber que essa circunstância deve-se também a questões políticas-estruturais. Isso se deve ao fato de que, a partir da pouca intervenção daquilo que é divulgado, o seu combate é minimizado e subaproveitado, já que não há interferência para mudar tal situação. Tal conjuntura é ainda intensificada pela insuficiente intervenção do Estado, uma vez que interfere em decisões políticas e sociais, como aprovação de leis e regulamentações . Prova disso, é, infelizmente, a existência de uma manipulação publicitária no poder público brasileiro. Dessa forma, a veiculação de comerciais atentatórios a ética e ao bom senso são comuns , pondo em xeque o direito de proteção à criança e ao adolescente conforme dispõe o Eca.

Torna-se evidente, portanto, que os caminhos para a luta contra a publicidade infantil apresentam entraves que necessitam ser revertidos. Logo, é necessário que o governo atue de forma mais efetiva na regulamentação da veiculação da publicidade direcionada ao público infantil, por meio de fiscalizações no cumprimento de leis, abertura de mais canais de denúncia e em sanções à empresas publicitárias e aos meios de comunicação. Além disso, é preciso que o poder público busque ser o mais imparcial ( comercialmente ) possível, a partir de acordos pré-definidos sobre o que deve, ou não, ser divulgado na esfera pública e disseminado para a população. Ademais, as instituições de ensino, em parceria com a mídia e ONGs, podem fomentar o pensamento crítico das crianças e adolescentes por intermédio de pesquisas, projetos, trabalhos, debates e campanhas publicitárias esclarecedoras. Com essas medidas, talvez, um maior engajamento no combate à publicidade prejudicial aos pequenos se torne-se realidade no presente, antes tarde do que nunca.
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