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Suicídio entre jovens

“Mas essa dor da vida que devora / A ânsia de glória, o dolorido afã... / A dor no peito emudecera ao menos / Se eu morresse amanhã!”. Álvares de Azevedo, principal poeta da Segunda Geração do Romantismo brasileiro, expressa, em seu poema “Se Eu Morresse Amanhã”, o tom depressivo e suicida marcado por esse período literário. Tal comportamento não se restringe às páginas dos livros: infelizmente, nos dias atuais, o suicídio se tornou uma das principais causas de óbito entre os jovens, o que se configura como um alarmante problema de saúde pública. Esse triste cenário se perpetua como subproduto da negligência governamental e da demasiada pressão social. Com isso, urge a adoção de estratégias para reverter esse panorama.


Constata-se, a princípio, que, de acordo com o artigo 196 da Constituição Federal, o acesso à saúde é um direito de todos e dever do Estado, sendo este responsável não somente pelo tratamento, mas também pela prevenção de doenças. Todavia, essa garantia constitucional não é efetivada pelo Poder Público no que se refere à prevenção do suicídio e ao tratamento de transtornos mentais que induzem tal comportamento, posto que, lamentavelmente, as políticas públicas destinadas à saúde mental não são priorizadas pelo governo. Isso pode ser evidenciado a partir dos dados divulgados em 2019 pela Organização Mundial de Saúde, os quais revelam um aumento de 7% dos casos de autocídio no território nacional nos últimos anos, indo contra o índice global, que caiu quase 10%. Vê-se, então, uma grave falha na administração pública que, com urgência, deve ser corrigida.


Ademais, nota-se, ainda, uma excessiva cobrança de desempenho na sociedade contemporânea. Nesse sentido, o conceito de “Sociedade do Cansaço”, do sociólogo sul-coreano Chul-Han, vai ao encontro da realidade supracitada. Em seus postulados, Chul-Han disserta sobre como os indivíduos na sociedade vigente são movidos pelo hiper desempenho e pela enorme cobrança de serem produtivos em todas as áreas da vida. Sob essa ótica, o sujeito, em virtude dessa demasia, tende a sucumbir e a desenvolver diversas doenças psicossomáticas, como a ansiedade e a depressão. Tais transtornos são os principais males identificados em indivíduos com comportamentos suicidas e, à vista disso, devem ser tratados com seriedade e com urgência, o que, tristemente, não acontece no contexto nacional, conforme exposto anteriormente. Logo, a sociedade do desempenho possui forte contribuição no comprometimento da saúde mental da juventude.


Portanto, faz-se necessária atuação conjunta do governo e dos veículos midiáticos na dissolução dessa problemática. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde criar um projeto de expansão da oferta de saúde pública, preferencialmente destinada ao tratamento de distúrbios psicológicos, mediante investimentos assíduos em construções de clínicas psiquiátricas e na contratação de profissionais especialistas em doenças da mente, como psiquiatras e psicólogos, a fim de garantir aos indivíduos que possuem tendências ao suicídio a ajuda e o apoio necessários para enfrentar esse cruciante transtorno. Além disso, a mídia nacional deve, por meio de emissoras abertas de televisão e das redes sociais, divulgar canais on-line de assistência psicológica, como o Centro de Valorização da Vida, com o fito de amparar os indivíduos que se sentem pressionados pela sociedade do desempenho. Assim, evitaremos que os jovens de hoje evoquem pensamentos suicidas semelhantes aos encontrados nas páginas do Ultrarromantismo brasileiro.

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