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Sororidade e união entre as mulheres

     Na série britânica “Sex Education”, a personagem Aimee, após sofrer importunação sexual em um ônibus, recebe o apoio e a proteção de suas amigas, as quais encorajam a vítima a denunciar o abusador e a superar o trauma causado no transporte público. Fora da ficção, é notório que a realidade brasileira deturpa o episódio televisivo apresentado, visto que, embora necessária, a união entre mulheres ainda é um vasto desafio do Brasil pós-moderno. Nesse prisma, hão de ser discutidos os principais fatores que envolvem a problemática: a cultura machista e a omissão das escolas.


      A princípio, é imperioso ressaltar que o machismo reproduzido na cultura brasileira dificulta a prática da sororidade – apoio mútuo entre pessoas do sexo feminino. Isso ocorre porque, influenciados por estereótipos sexistas, muitos indivíduos estimulam a competição entre mulheres no âmbito estético, aquisitivo e social. Nesse contexto, as “Aimees” da sociedade brasileira são, muitas vezes, desamparadas e vedadas de alcançar a própria autonomia e representatividade por meio da solidariedade coletiva. Assim, é inadmissível que a competitividade feminina continue a ser incentivada por ideais machistas.


     Ademais, é fulcral salientar que a inércia das instituições escolares também inviabiliza a prática da sororidade. Nessa atmosfera, segundo o ativista político Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Entretanto, essa mudança ainda não foi integralmente alcançada, haja vista que, infelizmente, muitas escolas brasileiras, além de relevarem comportamentos machistas no ambiente estudantil, se mantêm omissas no que tange à oferta de aulas e discussões que impulsionem a união feminina. Com efeito dessa falha pedagógica, grande parte da massa infante cresce reproduzindo discursos sexistas que reforçam mais ainda a competição entre mulheres e as rotulam como “seres inferiores”. Diante disso, é inaceitável que o sistema educacional persista em negligenciar a necessidade de mudar esse cenário.


     Infere-se, portanto, que a sororidade e união entre mulheres são elementos cruciais para o progresso da humanidade. Com base nisso, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve, por meio de campanhas midiáticas, desconstruir estereótipos sexistas e repudiar a competitividade feminina, com o fito de proteger todas as mulheres vítimas da cultura machista. Além disso, cabe ao Ministério da Educação abordar, por intermédio de palestras e simpósios em escolas e universidades, conteúdos que problematizem o machismo disseminado no ambiente estudantil – e em todas as outras esferas sociais -, com a finalidade de estimular o senso crítico, promover a empatia entre todos os cidadãos e, desse modo, garantir a mudança apregoada por Mandela. Feito isso, espera-se que a solidariedade narrada em “Sex Education” não fique restrita ao universo cinematográfico.

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