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Saúde mental no século XXI

A adaptação cinematográfica "Coringa", lançada em 2019, trouxe para as telas uma nova versão do surgimento do personagem icônico. O filme conta a história de Arthur Fleck, que sofre com diversos distúrbios e depressão, o que o faz ser negligenciado e atacado socialmente. As pressões sociais vividas pela personagem agravam seu quadro e dão origem ao conhecido sociopata dos quadrinhos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada com o impasse sobre saúde mental vivido no século XXI: o aumento de casos de doenças psicoemocionais e a apatia social diante da temática. Nessa perspectiva, tais desafios devem ser superados para construção de uma sociedade mais harmônica.


Em primeiro lugar, é importante destacar o crescimento expressivo de casos de depressão e ansiedade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) os aumentos percentuais dessas doenças ultrapassam os 10%. Esse aumento de desvios da normalidade pode estar associado à constante exigência de perfeição e ascensão do mundo pós-moderno, aliada a sua estrutura "líquida" (êfemera) como teoriza Z. Bauman. As pressões sociais pelo sucesso, veiculadas pelas propagandas e exponencialmente difundidas pelas redes sociais se manifestam como um grande fator para o adoecimento mental dos que não cumprem essa “cartilha”, por sentirem-se incapazes ou fora dos padrões. O Brasil, nas estatísticas da OMS, é o país "mais ansioso" do mundo.


Ademais, a falta de entendimento da população em geral sobre as adoecimento psíquico, muitas vezes se reflete na apatia social. Assim como demonstra o filme supracitado, o indivíduo é culpabilizado por sua condição mental, não gerando nos demais uma empatia, ao passo que ignoram os fatores sociais agravantes do adoecimento daquele. Como já estudado por E. Durkhein, por exemplo, o número de suicídios está intrinsecamente ligado à cultura social adotada. Desse modo, há influências sociais presentes nos casos de adoecimento mental da população, e se faz necessário empatia com os indivíduos por essa acometidos, além de estudos que visem amenizar tais influências. Considerando que no Brasil, existe o maior percentual de ansiedade, existem também comportamentos ou estruturas sociais que induzem essas estatísticas.


Em suma, a discussão sobre a saúde mental é de extrema importância para repensar os posicionamentos sociais adotados, e impedir a continuidade do aumento alarmante do adoecimento populacional. Para amenizar tal problemática, urge que o Estado tome providências. No Brasil, para gerar mais empatia e conhecimento da população em geral, o Ministério de Saúde deverá fazer campanhas de conscientização sobre as graves condições geradas pelas doenças psicoemocionais, e fatores agravantes,  por meio de redes sociais e palestras nas unidades de saúde. Além disso, deverão ser ampliadas pelo Sistema Único de Saúde,  unidades especializadas voltadas à saúde mental, para atender a população, diminuindo-se, assim, os aumentos e tratando-se os casos existentes. Dessa maneira, impediremos a perca de indíviduos importantes para o corpo social para o adoecimento mental, até mesmo insanidade, como ocorre no filme "Coringa".

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