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Saúde mental no século XXI

Na série americana “Insatiable”, a jovem Patty Bladell, após adentrar no universo dos concursos de beleza, via-se obrigada a ter um corpo cada vez mais magro e a manter um sorriso no rosto mesmo quando não estava feliz. Nesse contexto, conforme vencia os concursos, sua ansiedade e tristeza convertiam-se em transtornos alimentares e psíquicos que, embora não se expressassem fisicamente, destruíam seu psicológico. Hodiernamente, da mesma forma, a população adulta e jovem, devido à necessidade de inclusão a uma sociedade de falsas aparências e à prevalência do cuidado físico sobre o psicológico, vem apresentando uma saúde mental cada vez mais abalada.


Em primeira análise, cabe destacar que, com o advento das redes sociais, as relações interpessoais perderam posição de prestígio, haja vista que aparentar, na concepção moderna e globalizada, é mais importante do que ser. Como disse o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna presencia uma liquefação das relações sociais, que as torna superficiais e incentiva o imediatismo no amor e no consumo. Assim, com as relações liquefeitas e sem a necessidade de se criar um vínculo afetivo forte para que possam se relacionar, as pessoas vivem e fazem suas tarefas de forma apressada, tornando-se cada vez mais ansiosas e suscetíveis a distúrbios psicológicos.


Além disso, para muitas famílias tradicionais, a saúde mental ainda é um ponto delicado a ser abordado, já que, até há poucos anos, pessoas com depressão, transtornos alimentares ou com outras enfermidades que envolvessem a psique humana eram tratadas como loucas, deixando muitos jovens receosos de ir atrás de ajuda. De acordo com a terceira lei de Newton, toda ação gera uma reação de mesma intensidade que vai de encontro à ação praticada, ou seja, sem um cuidado eficaz da saúde mental, a saúde física também sofrerá consequências. Desse modo, para que os distúrbios psicológicos deixem de assolar a juventude hodierna, é necessário que essas questões deixem de ser um “tabu” no ambiente familiar.


Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para que os cuidados com a saúde mental sejam mais corriqueiros e melhor abordados na sociedade. Para que os distúrbios psicológicos possam ser identificados e tratados de maneira adequada, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, financie um programa de assistência em escolas públicas que conte com profissionais da área da psicologia e psiquiatria, a fim de proporcionar, por meio de consultas, exames e sessões de terapia gratuitos, um tratamento de qualidade e ambiente propício a pessoas psicologicamente enfermas. Somente assim, será possível que adolescentes, desde cedo, aprendam a importância do bem-estar mental em suas vidas e, diferentemente de Patty Bladell, busquem um equilíbrio entre saúde física e psicológica.

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