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Saneamento básico no Brasil

     A obra "O cortiço", do naturalista Aluísio Azevedo, retrata o cotidiano de ex-escravos e outros trabalhadores em estalagens coletivas que se popularizaram no Rio de Janeiro do século XIX. No cortiço da trama, as condições de higiene são bastante precárias, além do ambiente insalubre e vulnerável ao aparecimento de doenças. Apesar de ficcional, esse contexto de impasses no saneamento básico do Brasil é recorrente, principalmente para a população de baixa renda, e tem como fatores não só a segregação socioespacial urbana, mas também a inoperância estatal. 


      Convém ressaltar, a princípio, que a segregação do espaço urbano do país acarreta em maiores investimentos nas áreas nobres e desenvolvidas, o que gera um relativo descaso governamental com as regiões carentes e menos prósperas. Dessa forma, é notório como a maior parte da população de baixo poder aquisitivo é vítima das consequências da falta de infraestrutura, como a proliferação de doenças e a falta de água potável, haja vista os esgotos à céu aberto. Assim, pode-se evidenciar o início de tal conjuntura com a Lei de Terras de 1850, em que, com os indícios da chegada da abolição da escravatura, a grande elite nacional tornou a terra um produto de alto valor, o que deixou a população mais pobre suscetível a viver precariamente em moradias sem qualidade de vida


     Ademais, é perceptível como a inoperância do Estado contribui exponencialmente com a manutenção de imblóglios referentes ao saneamento básico no país. Nessa perspectiva, a irresponsabilidade do Poder Executivo Municipal ocasiona a permanência e surgimento de novas problemáticas em vários âmbitos, como surtos epidêmicos, na saúde, aliada à poluição e eutrofização dos corpos hídricos, na questão ambiental. Sob tal ótica, a "lei da inércia", do cientista inglês Isaac Newton, ao afirmar que um corpo tende a permanecer parado até que uma força externa atue sobre ele, ratifica como a inobservância estatal corrobora para a continuação desse panorama letárgico. 


      O saneamento básico no Brasil, portanto, se encontra em uma situação problemática que deve ser mitigada. Para tanto, urge ao Governo Federal destinar verbas aos Governos Municipais, para que estes promovam reformas e revitalizações nas áreas mais precárias e sem higiene de cada município. Essa medida deve ser efetivada por intermédio das Unidades de Saúde Básicas (UBS) e das Secretarias de Planejamento Urbano, com o intuito de tais instituições apresentarem os dados dos locais sem saneamento básico e mais suscetíveis à doenças. Assim, o panorama retratado em "O cortiço" não será mais comparavél à realidade de infraestrutura nacional.

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